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sexta-feira, 6 de junho de 2014

6 Hereges que Deveriam ser Banidos do Evangelicalismo: Alguns líderes da igreja que foram longe demais...

Este texto é uma tradução livre do artigo 6 Heretics Who Should Be Banned From Evangelicalism. O texto não está isento de erros de tradução. Caso os encontre, me avise para correção.


O que significa ser "evangélico"?

Em quê você deve crer?

O que você deve rejeitar?

Você pode ser um cristão e acreditar...

... na evolução?

... que o Inferno é simplesmente temporário?

... que as pessoas de outras religiões podem ser salvas mesmo sem saber?

... que a expiação não está relacionada com a ira de Deus sendo derramada sobre Jesus em nosso lugar?

... que as Escrituras contém erros?

Muitos evangélicos diriam "não" à maioria - talvez todas - estas questões. É por isso que, na tentativa de proteger o nome do evangelicalismo, alguns líderes proeminentes dentro do evangelicalismo tem tomado para si a responsabilidade de denunciar publicamente aqueles que descordam de questões como estas.

Para deixar clara, não há problema com a denúncia pública de ideologias (isto é, afinal, o que este artigo está fazendo neste momento). É necessário, algumas vezes, denunciar publicamente alguns falsos mestres. No entanto, deve-se considerar se eles estão promovendo um evangelho distinto, antes de denunciar com ousadia.

Mas não estamos falando sobre denunciar ideias ou expor falsos mestres reais. Estamos falando sobre cismas sem necessidade alguma e inconsistentes, orgulho exclusivista.

Guardeões do evangelicalismo auto-nomeados rasgam o que poderia ser um nobre e diversificado movimento do Espírito. Estes guardiões encarregam-se a si mesmos de pronunciar que está "dentro" e quem está "fora" da ortodoxia cristã.

Pelos padrões destes guardiões, a definição de "evangélico" está se tornando cada vez mais estreito, tanto que pouquíssimos se encaixam dentro das definições.

Então, se queremos ser consistentes, é hora de eliminar todas as heresias -- especialmente aquelas que tem maior influência -- não somente Rob Bell, Rachel Held Evans ou a Visão Mundial.
Vamos começar com estes 6:
1. C.S. Lewis: Culpado de Inclusivismo e Rejeição da Teoria da Expiação Penal Substitutiva

Talvez o mais celebrado escritor cristão do século passado, C.S. Lewis é respeitado pela maioria dos cristãos, não interessa em qual canto da teologia eles ocupem. E isto é o que me confunde. Lewis não é um evangélico pelos padrões dos porta-vozes evangélicos modernos. A obra-prima ficcional de sete volumes, As Crônicas de Nárnia, revelam sua crença de que é possível para uma pessoa de outra religião herdar o Reino de Deus sem conhecê-lo.
Lewis também rejeitou a teoria da Substituição Penal da Expiação, que afirma que Cristo "desviou" a ira de Deus de nós e tomou-a para si. Ao contrário, na parte três das Crônicas, Lewis descreve que o que é conhecido como a visão "Christus Vicotr" da expiação, o qual afirma que a cruz não é uma imagem da ira de Deus contra nós, desviada em seu Filho, mas era a derrota do mal através de uma ato de amor altruísta. (Aqui está um vídeo de Greg Boyd dando uma boa descrição desta visão usando o imaginário de Lewis.)

2. Martinho Lutero: Culpado por Rejeitar a Inerrância Bíblica

Onde estaria o evangelicalismo sem Lutero? Ele é o pai da reforma, e o campeão da Sola Scriptura.
Mas para o desalento de cada Calvinista, eu temo que possa ser o portador de más notícias de que Lutero aparentemente não acreditava que a Bíblia era completamente inspirada, verdadeira e confiável.
Falando de  imprecisões nos livros das Crônicas, ele afirma: "Quando se lê que um grande número de pessoas foram mortas, por exemplo, oitenta mil, acredito que dificilmente mil foram realmente mortas".

3. Santo Agostinho: Culpado de Rejeitar a Leitura Literal da História da Criação

Em sua obra "O Sentido Literal de Gênesis", Agostinho (para ser honesto) pensou  que cristãos que consideravam a história da Criação literalmente foram motivo de zombaria e pareciam idiotas entre os não-cristãos porque negavam a ciência e a razão. Este é Agostinho, aquele para o qual damos crédito pelas doutrinas do pecado original e o Inferno como um tormento eterno e consciente (centrais na teologia reformada).

Aqui está a afirmação:

Não raramente ocorre que algo sobre a Terra .. se torne conhecido com grande certeza pela razão ou pela experiência, mesmo por alguém que não seja cristão. É muito vergonhoso e desastroso, e porém, muito digno de ser evitado que ele (o não cristão) venha ouvir um cristão dizendo de forma tão imbecil sobre estes assuntos, e como se de acordo com escritos cristãos, de tal forma que ele possa dizer que mal pode conter o riso quando ele viu o quão completamente em erro eles estão. Em vista disto e tendo em mente constantemente enquanto tratando do livro de Gênesis, eu tenho explicado, na medida do possível, explicar em detalhes e tomado para consideração o significado de passagens obscuras, tendo cuidado de não afirmar precipitadamente algum significado de forma a prejudicar outro significado ou talvez uma melhor explicação.
Poucos são os púlpitos que o aceitariam nas igrejas conservadoras de nossos dias.


4. William Barclay: Culpado de Universalismo

Os pequenos comentários azuis de William Barclay estão nas prateleiras de muitos pastores. Assim, é estranho que Rob Bell tenha sido tão enfaticamente rejeitado por defender essencialmente a mesma crença que este célebre teólogo.

Barclay escreveu: "Sou um universalista convicto. Eu creio que no fim todos os homens serão reunidos no amor de Deus... a escolha é se aceitamos a oferta e convite de Deus de bom grado, ou se tomamos o mais longo e terrível caminho através de anos de purificação.

Nesta obra, Barclay também listou os pais da igreja primitiva, Orígines e Gregório de Nissa, como dois cristãos universalistas.

5. John Stott: Acusado de Aniquilacionismo

John Stott é um dos maiores pensadores evangélicos da última geração.  Stott rejeitou a visão de que o inferno é um tormento eterno e consciente dos ímpios e sugeriu, ao contrário, que aqueles que não tiveram arrependimento deixariam de existir após suportar a pena por seus pecados.
Ele escreveu: "Eu acredito que a aniquilação final do ímpio deveria ao menos ser aceito como legítimo, bíblicamente embasada como alternativa ao tormento eterno e consciente".

6. Billy Graham: Culpado de Inclusivismo

Billy Graham é, talvez, o exemplo da identidade evangélica.

Ou, achávamos que era...

Como C.S. Lewis, Graham acredita que aqueles que não ouviram sobre Cristo podem, de fato, serem salvos sem uma confissão explícita de que Ele é Senhor.

Em uma entrevista em 1997 com Robert Schuller, Graham disse:

"[Deus] está chamando pessoas para fora do mundo por Seu Nome, se elas vêm do mundo Muçulmano, do mundo Budista ou do mundo Cristão, ou do mundo de não-crentes, eles são membros do Corpo de Cristo porque eles foram chamados por Deus. Eles podem não saber o nome de Jesus, mas eles sabem em seus corações que precisam de algo que eles não tem, e eles se voltam para a única luz que eles têm, e pensam que estão salvos e estarão conosco no céu".

Há vários outros exemplos: o lobby de George Whitefield pela escravidão, o ódio não velado de Martinho Lutero pelos Judeus, a aprovação de Calvino pela queima de hereges na fogueira, etc.

Agora, espera-se que você ache ridículo rejeitar estas pessoas grandes e piedosas. Este é o motivo pelo qual é incrível pra mim o que ignoramos a fim de protegermos-nos da verdade. Precisamos de nossos "herois da fé" para sermos perfeitos em teologia e conduta, então ignoramos e justificamos as partes que não gostamos.

Todos fazemos isto.

Então, talvez seja hora de estender um pouco mais de bondade pelos evolucionistas, pelos que rejeitam a inerrância, para aqueles que leem a Bíblia literalmente quando ela diz que Deus irá redimir todos os povos consigo, para os Rob Bells e para as Visões Mundiais.

E para aqueles de nós que estão do lado progressivo e moderado: talvez possamos achar isto em nós mesmo para virar a outra face e perdoar aqueles que desejam que desapareçamos. Então, quando encontrarmos alguém que nos aceite, com "heresias" e tudo mais, vamos abraçá-los e aprender com eles.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Porque Contar a sua História não é uma Boa Ideia para Compartilhar o Evangelho


Segunda, 09 de Setembro de 2013 

Sempre pensei em aprofundar um pouco na questão dos métodos de evangelismo usados pela igreja de hoje. Creio que este texto representa de forma significativa a forma como eu entendo alguns aspectos do compartilhamento da fé. Essa é uma tradução livre do texto de Leslie Keeney, e pode conter erros. Caso os encontrem, me ajudem a corrigir. 

Qualquer pessoa que já teve alguma lição sobre como compartilhar a sua fé já ouviu algum professor bem intencionado dizer: "Você não precisa saber um monte de palavras difíceis. Apenas conte a sua história. Apenas conte à eles como Jesus mudou a sua vida. Ninguém pode argumentar contra isso".

Então, todos suspiram fundo aliviados porque pensavam que teriam que gastar um bom tempo aprendendo a responder perguntas difíceis, questões como "como você sabe que Jesus ressurgiu dos mortos?" ou "como você sabe que a Bíblia é inspirada?".

Eu entendo porque este método que costumamos chamar de  "testemunho" é popular. Pastores bem intencionados acreditam que pessoas ficam assustadas quando falam sobre Jesus às outras, e elas precisam encontrar um método fácil para que possam ensinar suas congregações como compartilhar a sua fé sem necessariamente ter que fazer nada - muito menos algo difícil.

O problema com este método é que ele não funciona mais. Ele poderia até funcionar 20 ou 30 anos atrás, mas em 2013 qualquer cidadão pós-moderno que se preze iria responder "isso pode ser verdade pra você, mas não é verdade para mim". E deveria. Se uma pessoa compartilhando sua fé está dizendo que você deveria experimentá-la porque ela funcionou para ela - se ele está baseando seus argumentos para seguir a Cristo na sua própria experiência - então é justo que a pessoa que responde possa afirmar que a sua experiência é tão válida quanto.

De certa forma, os cristãos que usam  somente sua própria experiência para dizer a não-cristãos sobre Jesus estão dando aos pós-modernos uma grande margem de vantagem. Ele está concordando, implicitamente, que o que mais importa é a experiência pessoal, e não a verdade.

Em seu  essay "Come Let us Reason" (B&H Academic, 2012), Toni Allen escreve que as mulheres, especificamente, "tendem a depender de sua experiência e conexão emocional com Deus como a primeira justificação para a fé que possuem".

Agora, eu seria a primeira pessoa a dizer que as experiências mais elevadas que temos com Deus são incríveis, alucinantes e impossíveis de serem descritas com palavras. E também diria que, muitas vezes, é a experiência com Deus que nos leva à Ele primeiramente, antes que tenhamos qualquer tipo de respaldo intelectual. Muitas pessoas experimentam Deus antes de sequer ter um contato com as evidências históricas da ressurreição. Mas continua sendo apenas o meu (ou o seu) sentimento. Eu posso dizer a outra pessoa que eu tive uma experiência, mas eu não consigo transferir esse sentimento para ela como se a expusesse à gripe. Como Allen diz, "nossa experiência deve ter um papel importante quando compartilhamos Cristo com não-crentes, mas ela não provê a força convincente e necessária para superar as barreiras intelectuais para a fé".

Vamos colocar de outra forma: se estou conversando com um budista que afirma ter experimentado o Nirvana, e sou capaz de responder apenas descrevendo minha própria experiência de encontro com Jesus, o que diferencia minha experiência da dele? Eu tenho alguma evidência de que o que eu encontrei é o único Deus verdadeiro enquanto a sua experiência foi somente um tipo de  transe meditativo?

Não.

E enquanto estamos nisso, como eu sei que a experiência transcendente que eu tive enquanto em êxtase de adoração não era apenas uma sobrecarga emocional alcançada graças às endorfinas, chocolate e a visualização de cachorrinhos ou crianças famintas? Eu realmente não posso usar o argumento de que eu sei que Jesus é real porque Ele mudou minha vida. Vidas podem ser transformadas de várias formas, incluindo anti-depressivos, hipnose, programas de doze passos, ou assistindo ao "Esquadrão da Moda".

Dizer a alguém que tudo o que se deve fazer para compartilhar o evangelho efetivamente é contar a sua história de como Jesus mudou sua vida é fazer um desserviço aos cristãos que necessitam de uma compreensão firme do porquê o Cristianismo é verdadeiro. Isso pode ser danoso para os cristãos que lidam com ateístas que desafiam a sua fé.

É claro que precisamos contar nossas histórias. Humanos são contadores de histórias por natureza. É a forma pela qual nos conectamos. É como aprendemos sobre o outro e como formamos comunidades.  O problema é que, em um contexto pós-moderno, uma história não corresponde à uma verdade mais do que outra.

Ainda que contar nossas histórias seja a primeira coisa que façamos quando começamos a compartilhar o evangelho, é necessário que sejamos amparados com boa apologética. "Como sabemos que Cristo ressurgiu dos mortos? Como sabemos que o evangelho é confiável? Como sabemos que nosso hábito de cantar músicas de adoração é diferente das experiências muçulmanas nas orações de fim de tarde?
Essas são questões que a apologética responde. E não importa o quão bem intencionados os pastores estejam para tornar o compartilhar de Jesus fácil, não é! Não é uma brincadeira de criança, mas necessita de um comprometimento sério com o aprendizado do porquê cremos no que cremos.

Como cristãos, temos a verdade do nosso lado. Não o tipo de verdade que nos torna arrogantes (espera-se), mas o tipo de verdade que corresponde à realidade. Existem bons argumentos para a existência de Deus e boas evidências de que Jesus ressurgiu dos mortos. Existem formas lógicas, racionais, cativantes de demonstrar que o cristianismo é a melhor explicação para o que acontece no mundo, incluindo o porquê do inferno existir e porquê as pessoas sofrem, mas um milhão de oportunidades serão deixadas de lado se deixarmos o pós-modernismo ditar as regras.

Então, da próxima vez que um cristão bem intencionado te disser que tudo que você tem que fazer para compartilhar o evangelho é contar sua história às pessoas, pergunte-o como ele sabe que isso é verdade.

domingo, 18 de agosto de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

10 livros que li em 2012 e recomendo demais da conta, sô...

Me empolguei ao ver alguns blogueiros postando a lista dos livros recomendados que foram lidos em 2012, e resolvi fazer a minha lista. Certamente, 2012 foi um ano de grandes descobertas literárias e teológicas, que me ajudaram bastante a amadurecer. Abaixo seguem minhas recomendações, apresentadas em ordem totalmente aleatória de preferência. E aí? Gostaram?

10 - 10 acusações contra a igreja moderna - Paul Washer

Um livro pequeno, de fácil leitura e rico em reflexões para os dias de hoje. A leitura da introdução do livro, pra mim, valeu o livro todo. Porém, vale a pena ler, reler e impregnar o conhecimento para não cairmos nos erros da pós-modernidade


 

9 - Fé cristã e cultura contemporânea

Um dos melhores livros já lidos. Escrito por várias mãos, o livro nos lança em uma análise profunda do conceito da igreja sobre a sua missão e sobre o evangelismo, passando pela estrutura filosófica de Kuyper, e atingindo o narcisismo e o hedonismo modernos com argumentações consistentes e reflexivas.




8 - O crente no mundo de Deus - Cornelius Plantinga Jr.

Plantinga Jr. escreve para estudantes universitários, e acerta em cheio ao tratar de assuntos importantíssimos para um cristão que irá adentrar na guerra do pluralismo, da falsa tolerância e da arreligiosidade sem a perda da 'espiritualidade'. Trazendo uma visão calvinista e bíblica da atuação do ser humano na sociedade, é um livro que deveria ser leitura obrigatória para todos os calouros cristãos das universidades brasileiras.



7 - Como Viveremos? - Francis Schaeffer
 
Um livro que deve ser lido com mais atenção. Cheio de detalhes, e com uma enorme quantidade de informações, Schaeffer vai nos contando a história do mundo, focando nos campos das artes e da filosofia para nos mostrar onde estamos atualmente, e como chegamos aqui. 




6 - Vida em Comunhão - Dietrich Bonhoeffer
 
Um pequeno grande livro. Seu tamanho esconde a grandiosidade dos ensinamentos que podem nos valer uma vida de devoção sincera e com as motivações corretas. Bonhoeffer vai no cerne das questões todas: o coração. Dali, ele nos confronta e nos pede que estejamos em uma comunhão real, sincera e verdadeira.




5 - As raízes da perseverança - John Piper
 
Essa tríplice biografia de John Newton, William Wilberforce e Charles Simeon, nos coloca em debate sobre quais são as verdadeiras raízes de pessoas que buscaram promover a soberania de Cristo diante das mais complexas adversidades possíveis. Muitos ensinamentos, e certamente, muitos motivos para nos colocarmos no caminho se encontram nesse livro de fácil leitura e de grande aplicabilidade para nossas vidas.



4 - Oração: Cartas a Malcolm - C. S. Lewis

C. S. Lewis, mais uma vez, me deixa encurralado ao refletir sobre o que é a oração, como deve ser feita, e quais as implicações da mesma para o cristão. Sustentando a máxima de que "a oração não muda o coração de Deus, mas sim o nosso coração", Lewis apresenta uma sequência de cartas fictícias para nos introduzir em uma grande viagem reflexiva por esse mundo que, muitas vezes, nos coloca em conflitos.




3 - Cristianismo Puro e Simples - C. S. Lewis

Uma de suas obras mais conhecidas, recomendo a leitura, a releitura e a re-releitura sempre que possível. Um livro que começa com a apologética de Lewis, e culmina em grandes ensinamentos para quem quer seguir a fé cristã de maneira coerente com o evangelho. Lewis deixa de lado as polêmicas, e nos mostra o que converge dentro do cristianismo, colocando-nos na sala, cheia de portas, e nos convidando a conhecê-las.



2 - O que estão fazendo com a igreja - Augustus Nicodemus

Se há uma voz no Brasil que clama por uma igreja bíblica e reformada, é Augustus Nicodemus. Criticado por muitos pelo seu criticismo direto e sem pormenores, creio que temos um profeta que grita por uma transformação em nossas igrejas, de modo a corrigir os rumos e torná-las mais próximas da vontade do Cristo. Nesse livro são debatidos assuntos relacionados ao liberalismo teológico, ao neopentecostalismo e à libertinagem nas igrejas. Para quem se preocupa com a igreja brasileira, leitura obrigatória.


1 - Alice - Lewis Carroll

Seguindo os conselhos de C. S. Lewis, mergulhei nessa história fantástica de Alice. Me marcou muito saber que as flores não falam porque o chão é muito macio em nosso mundo. No mundo onde o chão é duro e árduo, as plantas conversam. Tenho aprendido que o mito é uma grande oportunidade para nos colocarmos na realidade. Além disso, se queremos ser como crianças, por que não ler o que foi escrito para elas?


sábado, 15 de dezembro de 2012

Ai de mim, se acredito...

Acredito que tem gente que sinta prazer em criticar. Porém, há gente que critique por não suportar tamanha insensatez das pessoas.

O "senso comum" é algo que foi pluralizado, e agora não existe mais. Coitados dos que acreditam firmemente em algo. Serão apedrejados, pois nesse mundo em que vivemos, ninguém pode ter certeza de nada mais! Até mesmo nas igrejas, ai de mim se creio na sã doutrina, ou em um evangelho único.

Fora da igreja, ai de mim, se acredito que existe uma verdade universal sobre assuntos concernentes ao sentido da vida.

A verdade é que precisamos ter muita (MUITA) paciência para lidar com a atual sociedade. Com a internet, então, todo mundo é dono da verdade, ainda que ela não exista no discurso da maioria...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pobre de mim... Pobre de nós...

Como fazer para derrotar o orgulho? E como fazer a humildade imperar em um reino onde a amargura, o ressentimento e a falta de perdão insistem em impregnar nas pessoas?

Todos são orgulhosos, mas eu não! Jamais, enquanto criatura salva, poderia deixar o orgulho reinar em mim! Sou realmente mais destacado, e tenho certeza de que faço sempre a vontade de Deus!

E quanto ao pecado? Todos à minha volta tem a ficha suja, mas eu não! Os meus pecados são mais leves, são deslizes apenas. Deus não se importa tanto com os meus, pois Ele conhece o meu coração!

E assim, a igreja vai cedendo à vontade do anjo de luz, brilhando (?) em cada membro, em separado, mas nunca iluminando o céu com um clarão de luz completa.

A começar por mim, quero ver meu orgulho quebrado, humilhado, destruído. Quero sentir a alegria de, no pó, no lamaçal de pecado, orgulho e dor, sentir o sangue me lavando, e me mostrando que sou um com o outro.

Os fracos pecam pelo orgulho, os fortes pelo desprezo. Enquanto todos os elos não estiverem ligados à corrente, jamais experimentaremos comunhão verdadeira. Pobres de nós! Tamanha riqueza à frente, e nunca a conheceremos!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

60 Minutos em Viçosa - Encontro com a História

Estive em Brasília durante o fim de semana com o intuito de participar do VI Encontro Intersetorial do sindicato dos professores, o ANDES-SN. Na volta, após o fim do voo, uma grande surpresa. Estava lendo o livro de John Piper, "As raízes da Perseverança", uma biografia de três grandes nomes da história cristã, contemporâneos e que influenciaram bastante sua época, e que tiveram como marca maior a perseverança na fé. Ao ler, me remetia a pessoas que conheço, e que certamente são exemplos dessa perseverança, entre elas o reverendo Elben Lenz César, pastor, escritor e responsável pela criação da revista e editora Ultimato. Me recordei com muita nitidez de seus sermões na Igreja Presbiteriana de Viçosa, onde ele levava revistas para o púlpito, com o intuito de alertar a igreja da real necessidade do homem de perdão e de restauração. A depravação do homem sempre foi tema em suas exposições, e lembro de seu entusiasmo por relatar histórias do surgimento da igreja em Viçosa, bem como de personagens da reforma protestante.

Não por acaso, comprei um livro escrito pelo próprio Reve (como é conhecido) por esses dias, livro este que conta a história de Simonton ao chegar ao Brasil, e pensei: quem sabe não escrevem sobre esse grande instrumento de Deus que se preocupa tanto com as memórias da igreja brasileira?

Quando o voo foi finalizado, pessoas se levantando correndo para sair o quanto antes, e pegar as bagagens, e eis que vejo um senhor de cabelos brancos, tranquilo, com um livro de Caio Fábio em mãos. Todos correndo, e ele ali, envolto em sua leitura sem muita pressa. A medida que fui me aproximando, percebi de quem se tratava, e fui logo abrindo um sorriso, o qual foi respondido com um sereno "Olá, meu jovem!". Sempre que vejo pessoas que me marcaram, me emociono, e não foi diferente ali. Como todos estavam correndo, fui à frente e o aguardei na saída do avião. Pensei então: fui presenteado e surpreendido por Deus. Tenho que conversar com esse homem!

Para os que não conhecem, o aeroporto de BH fica há uma hora da cidade. É preciso pegar um ônibus, que atravessa vários quilômetros antes de chegar ao centro de Belo Horizonte. E pensei: uma hora para matar a saudade e ouvir um verdadeiro servo.

Aguardando as bagagens, o Reve já me adiantou que estava voltando de uma igreja, na qual foi pregar, e que ficaria em BH durante essa semana. Disse-me de seu intento em escrever de maneira mais isolada, e da disponibilidade dada pela sua esposa, a Djanira, a qual ele sempre remete em suas falas. Fui tocado nesse momento por um sentimento enorme de alegria e um desejo dos maiores de ter uma família como essa. 82 anos de vida, e um amor tão grande pela esposa, que nos faz questionar porquê nos permitimos vivemos tantos relacionamentos vazios em nossa sociedade. Buscamos prazeres menores, por medo ou covardia de ir em busca dos maiores prazeres, que emanam de Deus.

Antes de ingressar no ônibus, como é de seu costume, ele tirou uma das últimas edições da revista Ultimato de sua bolsa, e me deu de presente. Que saudade de Viçosa, das Ultimatos sempre ganhas na IPV, dos descontos da livraria, dos EMEPs, da ABU, do Água Viva, de tudo... senti o cheiro da terra molhada naquele momento, após períodos áridos no fim de semana.

Ao chegar no ônibus, lotado, não conseguimos arrumar lugares para sentarmos ao lado um do outro. Na hora só pensei: tenho que aproveitar o tempo ao lado dele. Esperamos todos sentarem, tentando resolver o problema dos assentos, e pedi à uma simpática jovem que trocasse de lugar comigo. Uma coisa só na cabeça: preciso conversar com ele.

Chamando-o de "senhor", por educação, fui logo rechaçado com uma frase que me trouxe mais saudades: "Você, meu jovem. Não perca o espírito da IPV, trate-me como 'você'!".


A viagem foi iniciando, e logo pude ouvir mais sobre a jornada que o Reve estava planejando traçar: iria para um mosteiro de freiras em BH para melhorar sua concentração e acelerar a escrita de um novo livro, que envolve um personagem muito importante da igreja brasileira do final do século passado. Discutimos um pouco sobre os escritos, e me dispus a contribuir. Essa semana devo visitá-lo no mosteiro, com o intuito de levar o material que coletei para seus estudos. Ao ouvi-lo, senti a paixão daquele que quer ver uma igreja pura e reta, e que luta para manter aqueles que Deus capacitou outrora, e que se deixaram levar no caminho.

Após falar sobre os escritos, sobre a igreja, e sobre os meus interesses nos estudos teológicos, pude compartilhar com ele sobre os meus anos pós-Viçosa. Estudos, relacionamentos, igrejas, decepções, conquistas, alegrias, tristezas, e toda a minha história foi sendo desenrolada enquanto aquele homem, o qual considero sobremaneira, fazia perguntas pontuais e se alegrava com as notícias. Vivi ali a IPV por 60 minutos. Por uma hora, senti saudades, me emocionei por dentro, senti a igreja de Cristo sendo trazida, por meio da comunhão até mim, e pude religar minha vida com algo que, no passado, parecia distante.

Tenho orado bastante, e pedido à Deus que me capacite para produzir bons textos. Peço que meus textos influenciem os jovens, e que resgatem essa geração das falácias, das enrascadas e das armadilhas que nosso mundo hipermoderno oferece. Tenho orado para que Deus me use, de maneira graciosa, como a Timóteo, como a Neemias, como a Estevão, como a Elben Lenz César, para que minha vida não seja sem sentido. E vivi, ali, naquele ônibus inesperado e surpreendente, o renascer de uma esperança que me ataca o coração todos os dias, quando me deparo com a Palavra, e com homens que me inspiram a viver mais e mais a história de Deus.

Provavelmente, na quinta, irei entregar o material para o Reve, e já fico animado, só de pensar em quantas riquezas Deus pode ter guardadas nas palavras daquele homem sincero, ciente de sua natureza pecaminosa, resgatador dos perdidos e missionário em todos os lugares.

Soli deo gloria!

sábado, 27 de outubro de 2012

Por que os jovens saem da igreja? [Parte 1]

Creio que todo jovem nascido em lar cristão já se questionou sobre sua frequência à uma igreja, ou quanto à adesão ao cristianismo. Pois eu também já fiz questionamentos sérios, e sinto que sair da igreja passa pela cabeça de muita gente, incluindo, talvez, você!

Uma coisa me intrigou bastante ao me deparar com o desafio de falar a um grupo de adolescentes em um acampamento recente. Leitor assíduo de Paul Washer, e assistente de seus sermões, fico admirado ao ver em sua postura o desejo que as pessoas levem Deus a sério. Esse pregador (aconselho que assistam a esse sermão, para conhecê-lo melhor) que busca trazer a realidade bíblica de pecado e inferno para os seus ouvintes me inspirou a pesquisar os motivos pelos quais jovens deixam as igrejas todos os dias. E lá fui eu atrás dos dados que me assistissem nessas constatações.

Ao longo dos próximos posts (não sei quantos serão ainda), falarei sobre minhas impressões a respeito da pesquisa encontrada nesse site, que já apresenta inclusive análises do presidente do Grupo Barna, responsável pela pesquisa. Espero não ser repetitivo, mas que Deus possa conduzir o pensamento, levando-nos a refletir sobre uma realidade que ameaça diretamente a igreja.

Antes de começar a falar dos resultados da pesquisa, precisamos entender em que contexto vivemos, tanto dentro da comunidade cristã, quanto fora desta. Essa análise é muito importante, pois nos auxilia a ver em que mundo estamos pisando, e como esse mundo nos influencia, direta ou indiretamente.

O mundo em que vivemos

Primeiramente, precisamos entender o mundo que nos envolve, e diariamente nos bombardeia com informações e valores dentro de nossas casas. 

Uma das características mais marcantes de nossa sociedade é a relativização das ideias e das verdades presentes em nossas vidas. Guilherme de Carvalho é bem claro ao afirmar que, no mundo, todas as coisas são relativas, à exceção de Deus. Quando tiramos Deus de foco, e passamos a colocar os referenciais nas coisas e nas pessoas, perdemos qualquer dimensão universal e inquestionável para nossas ações. A partir de então, a minha verdade é soberana, inclusive sobre a do próximo. Os questionamentos não são mais bem vindos, e o respeito deve prevalecer para que haja boa convivência entre as pessoas. Quando Deus é removido do horizonte, ficamos apenas com o que somos. Coisa terrível é sermos lançados sobre nós mesmos.

Além da relativização das verdades, vivemos em uma sociedade imersa em inovação. O tempo se move mais rápido, e o que é antigo se torna desprezível. C.S. Lewis dá um nome à esse movimento de Esnobismo Cronológico. É como se aquilo que é antigo não tivesse valor, por estar ultrapassado. A nossa sociedade, além de não querer envelhecer, apresenta enorme resistência àquilo que considera ultrapassado: religião, abstinência sexual antes do casamento, constituição familiar, moral e ética, tudo vem sendo lançado fora das reflexões diárias por estarmos vivendo em uma sociedade "avançada", onde não precisamos mais de muletas criadas no passado para viver.

Obviamente, considerando a relativização das verdades e o esnobismo cronológico, seria fácil deduzir que as famílias não apresentam mais o mesmo ambiente e segurança dos quais nossos avós puderam presenciar. A estrutura familiar, além de considerada ultrapassada, já não é mais fundamental para que a sociedade funcione de maneira harmônica. A relação conjugal passou a ser uma relação contratual, onde cada um cumpre com seu papel, e em caso de descumprimento, o rompimento do contrato. Filhos, projetos, todos ficam à mercê do gosto dos casais, que se propõem cada vez menos a enfrentar a dura vida conjugal.

Não bastasse a estrutura familiar ruída, ainda convivemos com os que fogem de qualquer realidade que envolve compromissos. Nossa sociedade vive uma febre hedonista que nos remete à antiga Roma. Buscamos o nosso próprio prazer a qualquer custo sem pudor algum. Pagamos nossas contas, e fazemos o que quisermos, sem prestar contas a ninguém. Nossa sociedade constrói ídolos cada vez mais desconexos da nossa realidade, pautados apenas na busca pela satisfação de seus desejos, conseguidos com dinheiro fácil e com projeção na mídia.

Bom, esse é o cenário que podemos perceber, sem dificuldade alguma, ao olhar ao nosso redor. Porém, nossas igrejas também estão cheias de problemas.

A igreja em que vivemos

Nunca na história da igreja se percebeu tamanho descompromisso dos pais com a educação cristã dos filhos. Salvas raras exceções, não percebo movimento algum nas famílias para manter os cultos domésticos, ou sequer um crescimento do conhecimento da Palavra nas crianças, que não ultrapasse a educação dada nas escolas dominicais.

Assim como no mundo, os pais de dentro da igreja estão terceirizando a educação cristão de seus filhos. Não precisa de ir muito longe para entender a antibiblicidade desse descaso (I Tm 4:12; Pv 22:15; Pv 23:13-14).

É perceptível, talvez até por consequência da educação recebida, a falta de compromisso e o esfriamento dos jovens na igreja. E aqui eu quero me ater a um ponto importante. Jovens avivados, conforme o próprio Paul Washer concebe, não tem nada a ver com cultos jovens animados, regados a músicas animadas, saltos, lágrimas e qualquer tipo de expressão momentânea de sentimento. Creio que o anseio pela leitura da Palavra, vida de oração e a busca por conhecimento de Deus, através de livros teológicos e de textos que busquem responder às questões relativas à realidade são os principais meios de demonstração de avivamento. Como diz o salmista, assim devemos dizer: "escondi a Tua Palavra no meu coração, para eu não pecar contra Ti" (Sl 119:11).

Outro reflexo que podemos observar em nossas igrejas diz respeito ao aumento dos "desigrejados". São pessoas que aderiram à alguma denominação evangélica, mas que sofreram alguma decepção, ou não fora satisfeitos em suas expectativas, e hoje estão fora da igreja. Esse número tem aumentado consideravelmente, e em muito por culpa das próprias igrejas, que vendem um evangelho barato e palatável, omitindo o que realmente importa, e criando crentes que nunca evoluirão na fé.

Por fim, quero enfatizar um fato que é constatado estatisticamente, para tristeza das lideranças eclesiásticas no mundo: o cristão tem vivido como o não cristão. Não temos diferença alguma com relação às demais pessoas que professam outra fé, ou fé alguma. Reportagem da Cristianismo Hoje relata, de maneira bem clara, que 56% dos evangélicos já fizeram sexo antes do casamento, e 25% já traíram. A constatação da pesquisa é tão relevante quanto os dados: "Isso não quer dizer, evidentemente, que o evangélico traia mais", ressalva Danilo Silvestre Fernandes, idealizador do Bepec e da pesquisa. "Apenas que os crentes, em diversos aspectos, não diferem tanto assim das pessoas que a Igreja convencionou chamar como ‘do mundo’.".

Com vistas nesses dois cenários quero finalizar essa primeira parte dos estudos. A intenção aqui não é avaliar se os jovens se converteram ou não nas igrejas, mas constatar o que a igreja pode fazer para apoiar seus jovens e permiti-los ter um ambiente que proporcione um relacionamento profundo com Deus.
Fiquem na paz!
Escondi a tua palavra no meu 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ovelhas supervisionadas, produtividade e avivamento

Para quem pára e se depara com o título, acredito haver grande questionamento se o mesmo tem algum nexo ou não. O fato é que para mim eles fazem muito sentido se colocados na ótica correta.O texto está um pouco extenso, mas acredito que conteve tudo que queria externar. Algumas experiências aqui são do passado, e ficaram por lá. Apenas retomo ao passado por entender que o mesmo nos ensina e nos impede de vacilar no presente e no futuro. Não é intenção do texto discutir o fato, mas apenas tirar aprendizado da experiência. Portanto, vou me ater aos detalhes que julgo importantes para a reflexão apenas.

Esses dias me coloquei em uma discussão sobre as igrejas emergentes com um amigo  (por enquanto) virtual, e sobre a grande vontade de alguns cristãos de terem um ambiente mais prazeroso e adequado para se viver o cristianismo verdadeiro. Me deparei, ao ler os documentos e comentários, com uma sombra do passado que vivenciei em uma igreja que viria a se tornar emergente. Não necessariamente minha experiência será a mesma de todos, mas é de se temer que isso ocorra. 

Ao iniciar meu mestrado, e após frequentar durante quatro anos uma igreja excepcional, em Viçosa (a IPV), voltei para BH e procurei durante alguns meses algum local para congregar. Encontrei no meu bairro uma igreja iniciante, com projetos bem interessantes. O pastor titular me acolheu bem, e me falou sobre algumas ideias super legais que me encheram os olhos. Bibliotecas, livraria, prédio multiuso, intercâmbios internacionais, oportunidade de continuar meus projetos missionários, e por aí vai.

Quando cheguei à igreja, a mocidade estava apenas começando, e éramos apenas 3 pessoas com idade e status civil (solteiros) para formar a mocidade. Foi-nos delegado um pastor auxiliar, com o intuito de tocar o projeto. À princípio, percebemos uma certa dificuldade de aproximar os jovens, visto que muitos que frequentavam não eram do bairro, ou não estavam a fim de se comprometer com o grupo. Ninguém é obrigado mesmo, mas foi bastante custoso iniciar os trabalhos.

Com o passar do tempo, o grupo foi crescendo, e notei algo interessante: o que movia e unia o grupo não eram os interesses em comum. Éramos por demais diferentes. O que nos unia era a presença e empenho do pastor auxiliar, que com toda a dedicação do mundo, apesar do grupo pequeno, enxergava ali pessoas que precisavam de comunhão.

As pregações daquela igreja eram quase sempre ministradas pelo pastor titular. O pastor auxiliar, que trabalhava com os jovens, pregava a cada 3 ou 4 meses. O teor das pregações do pastor titular também eram um tanto quanto estranhas. Além de repetir inúmeras vezes alguns de seus sermões, o mesmo não apresentava uma visão parcial do caráter de Deus. O Deus apresentado nas pregações era apenas amor, compassivo, achegado ao pecador, e quase que incapaz de punir uma pobre ovelha, vítima de seus pecados! 

Além disso, nossa igreja era considerada especial! Eram-nos apresentados projetos que renderiam o bairro, a cidade, o país aos pés de Jesus! Porém, não fazíamos nada de diferente das outras igrejas! Viagens para fora do país para buscar recursos que retornaram totalmente improdutivas, projetos de compra de terrenos que eram veiculadas no púlpito, inflamavam a igreja e depois acabavam indo por água abaixo, e por aí vai. Comecei a perceber também que algumas pessoas, anteriormente ativas na igreja, acabavam por se tornar membros "de banco".

O que acontecia era mais ou menos assim: os projetos eram lançados nas mãos dos membros para motivá-los a se estabelecer na igreja. Membros neófitos recebiam cargos e funções de grande impacto para a igreja, e geralmente isso se dava com pessoas em boas condições sociais e econômicas. Quando os projetos estavam pequenos, a pessoa se matava de trabalhar. Quando os mesmos começavam a crescer, o pastor se aproximava e reorientava todo o trabalho para que ficasse a sua cara. Saía em todas as fotos e se esbanjava ao mostrar como seu trabalho era profícuo. E foi assim também com a mocidade...

Conversando com algumas pessoas, vi que os membros se cansavam e se esgotavam com o trabalho, e entravam em constante atrito com o pastor titular. E aí não demorou muito tempo para que eu fosse atingido também. 

Resumindo (ou tentando resumir) a história, os membros que não participavam mais de perto das ações da liderança se encantava com as pregações no púlpito e compravam a ideia de que nossa igreja era a salvação do mundo. Os projetos ganhando corpo tinham maior ênfase na pessoa do pastor titular, e o mesmo sempre fazia questão de colocar-nos como uma igreja com visão destacada, que fugia da denominação à qual estávamos filiados.

Resultado: a igreja rachou. Não somente por esses motivos, mas também por esses. Uma nova igreja foi criada com outra denominação. Os "especiais" se tornaram uma igreja livre das amarras denominacionais, e se renderam aos projetos impressionantes do pastor titular. 

A história é longa, e tem outros melindres que não cabem aqui. Se chegou até aqui, peço mais paciência para entender onde tudo se encaixa.

A igreja evangélica brasileira apresenta na figura do pastor um símbolo de grande porte relacionado com santidade, poder, corretude e divindade. Não é difícil encontrar com um evangélico que, ao ouvir um pastor dizer algo, toma aquilo como verdade sem sequer analisar o que está sendo dito. A palavra do pastor é a máxima em qualquer assunto, e o mesmo deve sempre se pronunciar, para que as ovelhas se sintam seguras.

Ora bolas, Jesus cuidou de seus discípulos, preparando-os sempre para quando Ele não estivesse mais aqui. Se não houvesse essa preocupação e dedicação por parte do Messias, dificilmente o evangelho teria ganhado os contornos que ganhou após sua ressurreição. Mas não é isso que vemos nos dias atuais. Os pastores preparam suas ovelhas para serem sempre dependentes de sua liderança. Tratam-nas como coitadas, e não ensinam os seus discípulos a caminhar a vida proposta pelo evangelho de maneira plena. Resultado: rebanho tacanho, imaturo, sem ânimo e totalmente dependente do que o pastor falou ou ordenou.

Ovelhas supervisionadas são mais fáceis de controlar. Porém, até onde isso fortalece o Corpo de Cristo? Ao meu ver, isso nos faz regredir.

Daí, partimos para outro ponto que me inquieta bastante. Além de supervisionadas, as ovelhas são cobradas por sua "produtividade"! Quem não trabalha na igreja, não está servindo! Quem não tem ministério, está sendo negligente com Jesus, e certamente em pecado, uma vez que não está servindo à Deus! 

A Reforma Protestante foi um marco histórico, e que mudou a concepção dos cristãos em relação ao trabalho. Quando foi entendido que tudo é sagrado, menos o que envolver o pecado, quebrou-se a dicotomia natureza-graça, ciência-religião, trabalho-igreja e qualquer outra que contamine o evangelho deixado por Jesus. Porém, parece que as lideranças atuais querem voltar ao modelo medieval-católico-romano. Esquecem de alimentar suas ovelhas para o dia-a-dia, de segunda a sexta, e apenas ensinam à essas que a vida e aquilo que é importante se resume ao fim de semana, quando estão todos na redoma da sua congregação local.

Somos chamados para viver uma vida integral diante de Deus. Não é certo faccionar momentos sagrados e momentos seculares. E muitos pastores pregam isso! Mas não permitem que suas ovelhas vivam o que pregam! Quantas vezes você ouviu em uma pregação sobre a importância do profissional cristão na proclamação da soberania de Cristo em todas as áreas? Quantas vezes você ouviu uma palavra de motivação no púlpito para o advogado, médico, juiz, ou outro profissional que abre mão de benefícios ilícitos em prol do evangelho? Quantas vezes já se ouviu sobre as vocações científicas da igreja, que são fundamentais para que a academia não caia nas mãos de neoiluministas?

E aí, as ovelhas supervisionadas, cobradas por produtividade eclesiástica, ainda sofrem quando querem se tornar livres. Me parece que na igreja evangélica brasileira (não estou generalizando, apenas ponderando sobre a maioria), é proibido pensar, como diz João Alexandre em sua polêmica música. Questionar os trabalhos, ou discutir os projetos é algo proibido também. Devemos confiar cegamente que tudo está sendo feito da melhor maneira possível. Críticas não são bem vindas. São coisas do inferno para derrubar lideranças. Reuniões de todas as esferas da igreja devem ter a presença máxima do pastor da igreja, com o intuito de impedir erros ou desvios na caminhada.

E aí eu chego ao avivamento. Pode parecer pesada toda essa exposição, e não me eximo dos erros que eu possa ter cometido ao deliberar sobre esse assunto. Caso os tenha cometido, já peço perdão de antemão àqueles que se sentem injustiçados. Mas continuo com minha posição firme, que pode apontar uma saída diante desse quadro tenebroso. O avivamento é a solução para a igreja brasileira. E o avivamento se resume a oração fervorosa e constante e estudo da Palavra. Nada mais do que isso. Não envolve trabalhar mais na igreja, encher a paciência de toda a sua família com versículos decorados, nem de megashows na praça com cantores famosos.

Não existe cristão mais inútil do que aquele que não estuda a Bíblia (disse um teólogo que não me recordo no momento). Não há cristão mais inútil do que aquele que não questiona aquilo que ouve, ou que não confronta o que não condiz com aquilo que crê. E aí temos um problema. Cristãos que querem o verdadeiro avivamento, a meu ver, não se enquadram no modelo de igreja criado pelos líderes atuais. Eles irão criticar veementemente o que acham errado. Eles terão iniciativa para projetos que vão além da alçada e competência pastoral. Eles não se preocuparão com a produtividade, pois guiados pelo Espírito farão aquilo que é demandado por Deus.

Voltando ao exemplo dado no início do texto, não é difícil de se vivenciar a tentativa de controle total de uma igreja por parte de lideranças. Devemos valorizar líderes que se desprendem do ego pastoral, e que, como pastores, apoiam os ministérios e as vidas em sua igreja de forma saudável. Devemos valorizar líderes que entendem que a igreja é uma das esferas da vida do cristão, e que respeitam suas ovelhas, não tratando-as como massa de manobra, ou mão de obra para seus projetos pessoais. Devemos desencorajar e desarticular a mentalidade cristã que reprime a crítica. 

Não tenho a intenção aqui de julgar ninguém, muito menos de criar inimizades. Porém, não posso me deter a falar o que nos é ensinado todos os dias por Deus, em Sua Palavra. E a Palavra, felizmente, me exime de qualquer acanhamento ao procurar lutar por uma igreja que perfaça a Vontade maior, perfeita, séria, coerente e que não envolve interesses próprios nem achismos.

Que Deus nos ajude!

segunda-feira, 26 de março de 2012

O púlpito e o Rebanho

Muito se têm questionado a fé cristã desde o nascimento do cristianismo, no século I. Após o Iluminismo, além de questionada, a fé cristã passou a ser desacreditada e combatida com mais força, começando de dentro da academia, e causando grande repercussão em nossa sociedade, que tem se tornado cada vez mais cética. Atualmente, além dos esforços externos de desconstruir a fé cristã, percebemos que dentro das próprias igrejas têm havido movimentos (na maior parte involuntários) que acabam por ter o mesmo efeito. Explico.

Não é novidade que as denominações neopentecostais (onde estive por um ano) apresentam uma teologia deformada com enfoque na prosperidade e na total sujeição das ovelha à liderança dentro dessas denominações. Essa entrega parte da ideia de que as doutrinas neopentecostais são inquestionáveis, o que facilita o 'emburrecimento' dos membros, que não apresentam critério algum para julgar as ações e decisões tomadas, bem como as instruções recebidas pela liderança dessas igrejas.

Esses movimentos, apesar de obterem um aumento considerável no número de membros, têm também deixado muitos de seus fiéis no meio do caminho. Vemos com muita frequência pessoas decepcionadas com essas lideranças, desigrejadas agora por não acreditar mais que a igreja é um lugar onde se vive um cristianismo sincero e sem interesses escusos. Além disso, outros são levados a abandonar a igreja por entenderem que há uma total ausência de sentido em algumas práticas, que só levam em conta o emocionalismo e a total entrega às experiências 'espirituais', desfacelando o cristianismo autêntico.

Por outro lado, tenho percebido que há um evangelho sendo pregado em igrejas históricas (por incrível que pareça) que também deixa-nos em uma situação desajustada. Há na fala de muitos pregadores uma certa marginalização do tema da graça, enquanto que a disciplina, a cobrança e a demanda por obras têm recebido uma ênfase maior. É nesse ponto que desejo me ater.

O desvínculo da teologia pregada no púlpito com a graça faz com que a fé perca seu pilar maior, causando algumas consequências, dentre as quais destaco a desmotivação na caminhada de fé por parte das ovelhas e até mesmo o surgimento de um falso 'avivamento' (para ler mais, dê uma olhada em 1), onde as ovelhas são forçosamente motivadas pelo cajado mais do que pelo Espírito. Nesses casos, o medo se torna o motivo para a ação, e a busca pela glória de Deus acaba sendo deixada de lado.

A exortação que vem cheia de ira faz com que sejam lançadas no púlpito palavras pesadas e que não levam em conta que o nosso Deus é cheio de graça, e que o Seu amor cobre multidões de pecados, e impele seu povo ao Ministério. A disciplina não pode ser tema central das pregações, e o evangelho não pode ser empurrado 'goela abaixo' para os fiéis, que muitas vezes merecem a disciplina, porém não dessa forma.

Jesus sempre confrontou os religiosos. Ele se compadecia dos humildes e dos fracos. Aqueles que achavam que eram alguma coisa constantemente recebiam adjetivos pesados e difíceis de serem digeridos. Em nossas igrejas, certamente encontramos os dois públicos: religiosos (no sentido ruim da palavra) e devotos sinceros. Pessoas que precisam ter um despertamento para as verdades bíblicas, e pessoas que estão vivendo uma vida coerente e lutam por isso. Creio que a sensibilidade de quem prega deve ir além de um desejo interno de induzir o rebanho aos seus ideais. Deve-se corrigir em amor, e amar com disciplina. Todos somos devedores e servos inúteis, porém essa compreensão só é dada pelo Espírito, quando este tem liberdade para agir.

Exigir que a igreja viva para aquilo para o qual não foi despertada pelo Espírito é, ao meu ver, um atentado à fé e à graça. Deus opera em nós o querer e o efetuar, Ele nos constrange e nos exorta de modo que não temos reação outra senão responder ao Seu chamado. Temo que a submissão às doutrinas que têm em conta metodologias para alcançar a vontade de Deus sejam bem vindas no povo do Senhor. Fugir das filosofias humanas respaldado em uma ação irracional e inconsistente, que descarte o fato de que Deus é o Senhor da Igreja é, no mínimo preocupante. É criar uma filosofia pessoal, que apenas rejeita as demais. E não passa disso. É a rejeição do conhecimento da humanidade em favor do entendimento individual de um ser humano.

Desejo que a graça volte a ser pregada como tema central dos púlpitos, e que o amor de Deus seja o agente que constranja o seu povo a agir e a viver uma vida mais ativa com o Pai. Não acredito, de modo algum, que alguma metodologia venha a promover uma ação maior da igreja em qualquer âmbito. Que Deus dê discernimento ao Seu povo, do qual faço parte e desejo ardentemente que Ele seja Vida em nós, Luz sobre nosso caminho, e a Filosofia (com F maiúsculo, que vem do alto), coerente e cheia de frutos para os que nEle esperam.

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terça-feira, 20 de março de 2012

O Evangelho em Nárnia

As Crônicas de Nárnia, obra premiadíssima de C.S. Lewis, apresenta em forma de um conto de fadas a história de personagens que nos remetem diretamente à fé cristã. C.S. Lewis deixa para os leitores de todas as épocas uma obra de grande importância e que nos ensina (tanto a adultos quanto a crianças) valores e virtudes essencialmente bíblicas de recheadas de alusões à várias passagens bíblicas, apesar de Lewis declarar que não houve intenção direta em fazer esses paralelos.

A exploração dessas obras tem sido a tarefa de vários estudiosos de literatura, que assumem que a riqueza das histórias é tamanha a ponto de estarmos sempre aprendendo mais à medida que formos cavando esse rico tesouro.

Aslan, os Filhos de Adão e as Filhas de Eva nos presenteiam à cada página, com detalhes de uma sensibilidade única, e nos levam para aventuras que nos enchem de adrenalina, compaixão, raiva, arrependimento, entre outros tantos sentimentos. 

Ao longo desse estudo, tentei dar uma ênfase maior nas referências bíblicas relacionadas com as Crônicas, tratando de uma por uma a fim de contextualizar o leitor sobre seus melindres. Na segunda Crônica, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, fiz questão de frisar mais e dar uma maior atenção à expiação ali proposta, baseando-me no artigo do livro "O Evangelho de Nárnia", organizado pela estudiosa em C.S. Lewis, Gabrielle Greggersen.

Acredito que a viagem por Nárnia vale muito à pena, e convido àqueles que ainda não a fizeram, que lancem mão da demora e mergulhem na história mais linda de todos os tempos, o mito que se encarnou e se entregou por nós. Sim, pois Aslan voltará para pôr fim à todo inverno.

Bom proveito!


segunda-feira, 19 de março de 2012

O Sacramento do Batismo

Apesar de ser considerado por muitos como um assunto secundário na fé cristã, o Batismo se torna um motivo de divergência entre várias denominações evangélicas ainda hoje. Para alguns, a forma do Batismo é relevante, e a sua definição vai direto ao encontro do seu efeito, enquanto para outros o Batismo não apresenta restrições quanto à forma, desde que a água, símbolo maior, esteja presente.

Nos estudos sobre Batismo, podemos entender melhor algumas confusões que são feitas ao ignorar algumas bases bíblicas, bem como desconstruir um conhecimento errôneo à respeito da eficácia do Batismo.

Compreender essas questões torna o cristão mais consciente da importância e do real significado que esse sacramento tem, bem como nos auxilia a fugir de heresias e conflitos que o não entendimento promove. Espero que o material seja de utilidade para a compreensão [principalmente] da visão presbiteriana à respeito do Batismo.

Bons estudos!


segunda-feira, 12 de março de 2012

Os Sacramentos - Material de Estudos

Os Sacramentos são um assunto que apresentam divergências de acordo com a linha de cristianismo que é tomada. Fato é que, ao longo da história, foi necessário que se criassem meios de distinguir os verdadeiros sacramentos, a fim de não banalizar ou mesmo tornar atos solenes como práticas comuns indiscriminadas e aleatórias.

A Confissão de Fé de Westminster apresenta a visão nascida da Assembleia de Westminster (1643-1649) sobre como os sacramentos são entendidos para reformados com uma linha calvinista. Os dois sacramentos considerados são o Batismo e a Ceia. Essa escolha é sistematizada pela definição de que os sacramentos são, ordenados diretamente por Cristo, consistindo de dois elementos: um sinal externo, símbolo ou rito, que dá significado à uma graça interna e inerente ao recipiente do sacramento.

Os slides abaixo foram estudados durante a Escola Dominical de 11/03/2012, na Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras, e apresentam a forma como esse assunto é exposto.

A próxima lição será sobre o Batismo. Àqueles que participarão, recomendo a leitura do material e o levantamento das dúvidas para discussão na próxima aula.

Bom proveito!