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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Paris

Em Paris me perdi
me achei, entendi
Dalí, Fitzgerald, Picasso
Ao lado dos amantes e amores sem nexo
Sentado na escada, ao fim de uma noite pedante
Em meio a suas obras e imerso em suas luzes
Onde o passado se torna presente
E onde o peito ardente toma o fôlego
Nas cores de um dia nublado
Andando em meio ao imortal
Percebi que não são as letras nem as formas
No apagar das luzes
Alguém que não se importe em molhar com a chuva
E dizer rimas inexatas, em um mundo encantado
Onde o real é mágico, e onde a magia é realidade

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Conto de Fadas

Ele: Eu sei que existe! e ainda vou viver muito isso!
Ela: Não é lenda então?
Ele: Não... é real! É o mito que se torna verdade, e que entranha na nossa história, e que não tem como ser mais tratado como mito!
Ela: Acho que eu vou saber quando acontecer então, se é tão real...
Ele: Vai sim... eu acredito! E vai saber porque sabe o que quer viver
Não vive por inércia. Você sente o cheiro da vida. E dança com ela, à medida que sonha entre seus livros...
Que a beleza de tudo que espera está lhe esperando ali, no jardim, onde tudo tem mais cores, e as cores são mais do que belas.
Ela: Eu quero viver um amor a la Casablanca. Viu como sou iludida?? Filmes fazem isso comigo...
Ele: No universo da imaginação, a realidade pode nos dar tudo, até o ponto onde estejamos vivendo o imaterial, inacessível e impossível para os outros...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Merecimento

Eu não mereço
Não adianta dizer que os esforços resultam em dádivas
Eles nunca serão suficientes pra dizer como o rumo da história se deu
Da forma que foi, no momento em que tudo se tornou real
O merecimento alimenta o ego, e o ego... esse sim, me tira da realidade
Não há nada mais real do que o imerecimento, este leva à graça
Simples, sem muita complicação
A graça
Viver uma vida imerecida e agradecer ao mesmo tempo soa estranho
Estranho e paradoxal muitas vezes
Como um texto que é escrito com um sentimento de que não vai ficar bom
Mas ao mesmo tempo fala daquilo que sua alma grita
Em meio a um emaranhado de acusações, elogios e lutas
Eu só sei que não mereço
E por tudo que tenho, eu agradeço, assim, sem meias palavras
E sem receios

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Terra Estranha

Me desculpem os escritos, inda não sou pessoa de bem
Aos olhos dos matutos da minha nova morada, sou apenas um diferente
Ao confidente que me aprouve, discuto as minhas idiotices
Com ar de humildade, me rebaixo para não gerar suspeitas nessa terra esquisita
Sozinho, passa o tempo, e com ele mais um dia
Nos devaneios tolos que me rodeiam, brilha ao fundo um sol distante
Escondido detrás das cinzas nuvens, não fazendo questão nenhuma de sair
'Cada dia, cada tempo, fique quieto até surgir
No verde som ou no cimento, Ele há de te ouvir'

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pedaços e cores

as cores dentro de mim são muitas
cinzentas em dias nublados
douradas em dias de vida
cada cor, um pedaço
e cada pedaço um verso
um provérbio, sábio
um poema, suave
uma música, latente
e um pincel lançado de mãos afáveis e vivas
tinta sobre os meus erros
cobrindo minhas feridas

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu confesso... de novo...

O retorno do filho pródigo - Rembrandt (1669)
Para começar o blog, nada como retomar, em mais um fim de ano, uma das minhas confissões públicas de alguns anos atrás que sempre me trazem lembranças boas... 


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Confesso que hoje não foi o melhor dia da minha vida, e que mesmo assim ainda não foi o pior.
Confesso que espero demais as coisas acontecerem
E sim, eu deixo muito do que é importante pra depois
Confesso que queria estar em uma situação melhor, ter mais segurança nas coisas, mas que isso não quer dizer que não sei o que quero
Confesso que a minha fé é menor que um grão de mostarda, e nem por isso eu deixo de crer em Deus.
Confesso que não sou a melhor companhia, mas que eu me esforço pra valer pra tentar ser.
Confesso que não sou o melhor amigo, mas que luto por todos que amo, e que erro tentando acertar.
Confesso que meus dias tem se tornado difíceis
Ser adulto não é nada fácil, e tenho saudades da infância
Confesso que não tenho a família perfeita, e que não sou um filho perfeito.
Não tenho projetos de melhorar. Eu sou assim...
Confesso que não gosto de todos com quem convivo
Mas também não me deprimo quando alguém não gosta do meu jeito de ser
Confesso que minhas mãos não são perfeitas
Mas ainda assim o meu sustento vêm delas, e por isso elas jamais serão descartadas
Confesso que queria ter mais poder, mais autoridade, ser mais bonito
Mas confesso também que seria inútil ter tudo isso, uma vez que minha vida é curta demais pra desfrutar de todos os benefícios que isso me traria
Confesso o meu orgulho. Só isso...
Confesso que minhas virtudes são facilmente diluídas pelos meus defeitos
Sou eternamente grato àqueles que me amam mesmo depois de me conhecerem
Sinto por aqueles que não se deram a chance de fazer o mesmo
Aceito aqueles que tentaram, mas ainda assim não gostaram do que viram
Confesso que daria a minha vida por muitos que amo
E confesso que não acredito que fariam o mesmo por mim
Confesso que quando estou sozinho, me sinto triste
E nem por isso me deixo abalar. Amanhã é outro dia
Confesso que não me alimento direito, tanto material quanto espiritualmente
Não entendo como Deus ainda me usa na vida de algumas pessoas
Confesso que ainda estou me descobrindo
E não quero cobrar de mim mesmo uma maturidade acima do que o meu tempo de vida me proporcionou
Confesso que choro quando Deus fala comigo, e que vou chorar muito quando Ele voltar
Confesso que estarei aos seus pés, dizendo que com tudo o que pude ser
Eu tentei fazer o meu melhor, e que só pude porque Ele fez o melhor dEle antes
Confesso que no próximo ano vou tentar ser diferente, sem deixar de ser eu
Enfim, confesso que vou errar ainda, mas ainda assim, Deus, não desistirei de mim mesmo