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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dez Pedidos

Johannes Vermeer
Girl reading a Letter at an Open Window

(1657-1659)
Mais um ano terminando. E todo fim de ano eu fico mais velho. Não tem outra saída. É sempre assim.

E, não por acaso, todo ano uma nova surpresa. Este ano fui surpreendido por uma turma que caminhou comigo durante o ano, que sofreu um bocado com minhas inquietações, que se alegrou e projetou, que cantou e compartilhou, que significou a minha vida. Diante de um turbilhão de acontecimentos, entre os quais a minha possível-quase-certa despedida, recebo um poema pra lá de lindo! 

Agradeço à ABU, UMP, e todos aqueles que me permitiram ter um pedaço nas suas vidas! Não há palavras para dizer, apenas sentir e deixar o dia seguir... 

Nem preciso dizer o quanto me emociono todas as vezes que leio... Guardarei a carta com muito carinho, e tenham certeza de que a lerei sempre que precisar de um acalento e de motivação para seguir em frente.


Porque esta poesia não é qualquer coisa
de mensagem, de carta, ou de lisonjeio -
é sim e antes, uma forma de recreio, pra fazer-se esquecer
que na verdade, a alma lava uma tristeza em nossos olhos.
... Uma tristeza saudosa de você.

Tenho uma lista
que não tem ordem pra te pedir – nem pra te dar,
você tem muitos tostões pra comprá-la!
Mas a doarei...

Primeiro........... Que sua distância se afaste de nós,
te queremos de bem perto, como um navio no seio das aguas,
como chuva em nuvens cinzas e como tempestade em dias fechados.
Ainda que essa tempestade, só chuvisque.
E não importa...
Canadá, Inglaterra, Marrocos ou Nárnia.
Seja lá onde se inaugurar sua morada. Faça sua casa perto de nós!
De Skype, Facebook ou Google+ - mas faça-a com janelas para nós.

Segundo........... Não aceite nossos abraços, leve-os contigo,
como os teus se deixam em nós.
Faça deles o seu devocional de cada dia – E com o pão do Eterno se alimente
todos os dias; que te são concedidos.
De sobremesa se alimente de nossos retratos – e se vista com eles
nos dias frios
de solidão.

Terceiro.......... Mande-nos embora de sua vida! E seremos
peregrinos em terra estranha, Sem-terra a te exaltar como nossa – amigos.
E longe de nós, não escreva coisas ridículas – sabemos que você não escreve coisas ridículas.

Quarto............ Cuide bem do seu quarto! Há muitas pessoas
que mudam, e deixam de arrumar seu quarto, sua casa, sua vida.
Seja constantemente orientado!

Quinto............ Agradecemos pelos teus presentes de gestos, livros e obras.
Ao revê-los dá um frio, de saudade. Alguém de nós deixou a janela aberta.
A mesma janela que você pulou quietinho e adentrou,
e nos mostrou como a porta de nossa Missão estava fechada
e com a direção do Eterno nos ajudou:
a abri-la, e como, a mais as pessoas
servi-las.

Sexto................ Sua razão não cabe num cesto, e se coubesse
seria um cesto tão racional, que deixaria de ser cesto e se tornaria...
Um teólogo, um filosofo, um escritor – seu problema é esse.
Infelizmente, você não tem um cesto pra colocar sua razão!

Sétimo.............. O sete é o numero da perfeição, por isso pulemos
esse numero de você!

Oitavo............ Como essa poesia não tem um fim didático,
esqueça qualquer ensinamento, mas tenha dela o conhecimento...
Que seu estar conosco, seu agir conosco, seu orar conosco,
seu aconselhar conosco e seu doar conosco.
Nos trouxe um ao outro – na ABU, a um lugar de comunhão.
E por tudo isso: a Glória toda seja dada ao nosso Criador.

Nono............... Tenha sabor de mel! Como a nona sinfonia de Damares.

Décimo............. e não ultimo, mas décimo! Como um dizimo.
Que nos tenha como parte sua, como nós o temos como parte nossa,
e que em Cristo, sejamos inteiros. Como corpo e cabeça, cabeça no corpo.
Poesia como disse não é mensagem – só a de Fernando Pessoa.
Por isso: deixamos na escuridão destes versos, um interruptor,
por favor, não o acenda, ele não funciona nessa poesia – pelo menos nessa não.

E agora...
Olhe pra fora, digo pra fora de você. E veja dentro de nós.
Há em alguns uma oração sincera a Deus por você,
em outros o desejo que seus sonhos venham todos ocorrer,
em mais alguns talvez, o tremer da alma – pela dor desse momento acontecer.
Mas em todos uma certeza da qual eu termino esta poesia pra dizer.
Deus está no controle da sua vida – e por isso estamos alegres por você.

Estes são os Dez pedidos
a um quase despedido de Lavras.
Na cidade de nossas vidas, porém,
você sempre há de ser um inquilino nosso.
Que não paga aluguel
Fazemos questão de pagar pra você!

Clélio Braz

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Restauração e a reação do cristão


Raras vezes escrevo à mão, mas ao terminar de ler a carta de Paulo à Tito, e remeter à história, me coloco em punhos* para falar sobre algo que julgo relevante e pouco falado: restauração.

Muito se fala sobre arrependimento, pecado e santidade, temas muito relevantes e certamente dignos de toda a atenção e prática do cristão. Porém, o que se pode dizer da ação restauradora de Deus?

A carta a Tito é repleta de recomendações e pensamentos sobre pureza, sendo a máxima expressa em Tt 2:7, onde o próprio Tito é exortado para que seja, antes de todos, aquele que tem as características dos que vivem cheios de Deus (Tt 2:1-6).

A restauração é totalmente capaz de nos trazer de volta virtudes e a capacidade de apoiar o Ministério. A restauração nos mostra a face da graça, e nos coloca com os joelhos imersos no sangue precioso. Infelizmente, muitas das vezes, somos confrontados com nosso passado, e levados a relembrá-lo de maneira forçosa. Nesse instante, creio que muitas podem ser nossas reações. Vou expor as que entendo existirem a partir do que conheço.

Podemos nos sentir desestimulados, envergonhados, ou até mesmo derrotados. Porém podemos olhar para o nosso passado (aquele do qual não queremos lembrar) e ver a Luz, que não vem de outro lugar que não do Trono.

A desmotivação, vergonha ou derrota são, certamente, armas do inimigo para tentar desconstruir a restauração promovida pelo Pai. Quando nosso passado é jogado à nossa frente, certamente nos sentimos inferiorizados. Não temos orgulho de tudo que está lá, e muitas dessas coisas, se possível, apagaríamos das nossas vidas. 

Mas é preciso mudar. 

Se fomos, sinceramente e humildemente, perdoados, como poderemos dar ouvidos à mentira sutil e manhosa que diz: "Você não é ninguém, e não tem uma vida digna"? Antes, se cremos que Deus é perdoador, e atenta ao coração sincero, devemos nos agraciar com a transformação através do perdão, com o sangue derramado por nós, pecadores incompetentes e infiéis.

Uma vida repleta de Deus é uma vida onde o passado tem a única finalidade de nos mostrar o quanto avançamos na fé, o quanto amadurecemos, e como nosso caráter foi lapidado diante de Deus e do mundo.
"Quero que vocês permaneçam firmes em todos esses aspectos, para que todos os que puseram a confiança em Deus se concentrem nos elementos essenciais, benéficos à todos" Tt 3:8**
Que o nosso passado não nos impeça de construir o futuro, e que os planos divinos sejam sempre nosso alvo, pecadores que somos, mas cheios da graça transformadora. TRANSFORMADORA.

Soli deo gloria
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* Esse texto foi originalmente escrito à mão, a partir da devocional feita sobre a carta de Paulo a Tito
** Versão "A Mensagem; Bíblia na Linguagem Contemporânea"

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Merecimento

Eu não mereço
Não adianta dizer que os esforços resultam em dádivas
Eles nunca serão suficientes pra dizer como o rumo da história se deu
Da forma que foi, no momento em que tudo se tornou real
O merecimento alimenta o ego, e o ego... esse sim, me tira da realidade
Não há nada mais real do que o imerecimento, este leva à graça
Simples, sem muita complicação
A graça
Viver uma vida imerecida e agradecer ao mesmo tempo soa estranho
Estranho e paradoxal muitas vezes
Como um texto que é escrito com um sentimento de que não vai ficar bom
Mas ao mesmo tempo fala daquilo que sua alma grita
Em meio a um emaranhado de acusações, elogios e lutas
Eu só sei que não mereço
E por tudo que tenho, eu agradeço, assim, sem meias palavras
E sem receios