sábado, 15 de dezembro de 2012

Ai de mim, se acredito...

Acredito que tem gente que sinta prazer em criticar. Porém, há gente que critique por não suportar tamanha insensatez das pessoas.

O "senso comum" é algo que foi pluralizado, e agora não existe mais. Coitados dos que acreditam firmemente em algo. Serão apedrejados, pois nesse mundo em que vivemos, ninguém pode ter certeza de nada mais! Até mesmo nas igrejas, ai de mim se creio na sã doutrina, ou em um evangelho único.

Fora da igreja, ai de mim, se acredito que existe uma verdade universal sobre assuntos concernentes ao sentido da vida.

A verdade é que precisamos ter muita (MUITA) paciência para lidar com a atual sociedade. Com a internet, então, todo mundo é dono da verdade, ainda que ela não exista no discurso da maioria...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pobre de mim... Pobre de nós...

Como fazer para derrotar o orgulho? E como fazer a humildade imperar em um reino onde a amargura, o ressentimento e a falta de perdão insistem em impregnar nas pessoas?

Todos são orgulhosos, mas eu não! Jamais, enquanto criatura salva, poderia deixar o orgulho reinar em mim! Sou realmente mais destacado, e tenho certeza de que faço sempre a vontade de Deus!

E quanto ao pecado? Todos à minha volta tem a ficha suja, mas eu não! Os meus pecados são mais leves, são deslizes apenas. Deus não se importa tanto com os meus, pois Ele conhece o meu coração!

E assim, a igreja vai cedendo à vontade do anjo de luz, brilhando (?) em cada membro, em separado, mas nunca iluminando o céu com um clarão de luz completa.

A começar por mim, quero ver meu orgulho quebrado, humilhado, destruído. Quero sentir a alegria de, no pó, no lamaçal de pecado, orgulho e dor, sentir o sangue me lavando, e me mostrando que sou um com o outro.

Os fracos pecam pelo orgulho, os fortes pelo desprezo. Enquanto todos os elos não estiverem ligados à corrente, jamais experimentaremos comunhão verdadeira. Pobres de nós! Tamanha riqueza à frente, e nunca a conheceremos!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

60 Minutos em Viçosa - Encontro com a História

Estive em Brasília durante o fim de semana com o intuito de participar do VI Encontro Intersetorial do sindicato dos professores, o ANDES-SN. Na volta, após o fim do voo, uma grande surpresa. Estava lendo o livro de John Piper, "As raízes da Perseverança", uma biografia de três grandes nomes da história cristã, contemporâneos e que influenciaram bastante sua época, e que tiveram como marca maior a perseverança na fé. Ao ler, me remetia a pessoas que conheço, e que certamente são exemplos dessa perseverança, entre elas o reverendo Elben Lenz César, pastor, escritor e responsável pela criação da revista e editora Ultimato. Me recordei com muita nitidez de seus sermões na Igreja Presbiteriana de Viçosa, onde ele levava revistas para o púlpito, com o intuito de alertar a igreja da real necessidade do homem de perdão e de restauração. A depravação do homem sempre foi tema em suas exposições, e lembro de seu entusiasmo por relatar histórias do surgimento da igreja em Viçosa, bem como de personagens da reforma protestante.

Não por acaso, comprei um livro escrito pelo próprio Reve (como é conhecido) por esses dias, livro este que conta a história de Simonton ao chegar ao Brasil, e pensei: quem sabe não escrevem sobre esse grande instrumento de Deus que se preocupa tanto com as memórias da igreja brasileira?

Quando o voo foi finalizado, pessoas se levantando correndo para sair o quanto antes, e pegar as bagagens, e eis que vejo um senhor de cabelos brancos, tranquilo, com um livro de Caio Fábio em mãos. Todos correndo, e ele ali, envolto em sua leitura sem muita pressa. A medida que fui me aproximando, percebi de quem se tratava, e fui logo abrindo um sorriso, o qual foi respondido com um sereno "Olá, meu jovem!". Sempre que vejo pessoas que me marcaram, me emociono, e não foi diferente ali. Como todos estavam correndo, fui à frente e o aguardei na saída do avião. Pensei então: fui presenteado e surpreendido por Deus. Tenho que conversar com esse homem!

Para os que não conhecem, o aeroporto de BH fica há uma hora da cidade. É preciso pegar um ônibus, que atravessa vários quilômetros antes de chegar ao centro de Belo Horizonte. E pensei: uma hora para matar a saudade e ouvir um verdadeiro servo.

Aguardando as bagagens, o Reve já me adiantou que estava voltando de uma igreja, na qual foi pregar, e que ficaria em BH durante essa semana. Disse-me de seu intento em escrever de maneira mais isolada, e da disponibilidade dada pela sua esposa, a Djanira, a qual ele sempre remete em suas falas. Fui tocado nesse momento por um sentimento enorme de alegria e um desejo dos maiores de ter uma família como essa. 82 anos de vida, e um amor tão grande pela esposa, que nos faz questionar porquê nos permitimos vivemos tantos relacionamentos vazios em nossa sociedade. Buscamos prazeres menores, por medo ou covardia de ir em busca dos maiores prazeres, que emanam de Deus.

Antes de ingressar no ônibus, como é de seu costume, ele tirou uma das últimas edições da revista Ultimato de sua bolsa, e me deu de presente. Que saudade de Viçosa, das Ultimatos sempre ganhas na IPV, dos descontos da livraria, dos EMEPs, da ABU, do Água Viva, de tudo... senti o cheiro da terra molhada naquele momento, após períodos áridos no fim de semana.

Ao chegar no ônibus, lotado, não conseguimos arrumar lugares para sentarmos ao lado um do outro. Na hora só pensei: tenho que aproveitar o tempo ao lado dele. Esperamos todos sentarem, tentando resolver o problema dos assentos, e pedi à uma simpática jovem que trocasse de lugar comigo. Uma coisa só na cabeça: preciso conversar com ele.

Chamando-o de "senhor", por educação, fui logo rechaçado com uma frase que me trouxe mais saudades: "Você, meu jovem. Não perca o espírito da IPV, trate-me como 'você'!".


A viagem foi iniciando, e logo pude ouvir mais sobre a jornada que o Reve estava planejando traçar: iria para um mosteiro de freiras em BH para melhorar sua concentração e acelerar a escrita de um novo livro, que envolve um personagem muito importante da igreja brasileira do final do século passado. Discutimos um pouco sobre os escritos, e me dispus a contribuir. Essa semana devo visitá-lo no mosteiro, com o intuito de levar o material que coletei para seus estudos. Ao ouvi-lo, senti a paixão daquele que quer ver uma igreja pura e reta, e que luta para manter aqueles que Deus capacitou outrora, e que se deixaram levar no caminho.

Após falar sobre os escritos, sobre a igreja, e sobre os meus interesses nos estudos teológicos, pude compartilhar com ele sobre os meus anos pós-Viçosa. Estudos, relacionamentos, igrejas, decepções, conquistas, alegrias, tristezas, e toda a minha história foi sendo desenrolada enquanto aquele homem, o qual considero sobremaneira, fazia perguntas pontuais e se alegrava com as notícias. Vivi ali a IPV por 60 minutos. Por uma hora, senti saudades, me emocionei por dentro, senti a igreja de Cristo sendo trazida, por meio da comunhão até mim, e pude religar minha vida com algo que, no passado, parecia distante.

Tenho orado bastante, e pedido à Deus que me capacite para produzir bons textos. Peço que meus textos influenciem os jovens, e que resgatem essa geração das falácias, das enrascadas e das armadilhas que nosso mundo hipermoderno oferece. Tenho orado para que Deus me use, de maneira graciosa, como a Timóteo, como a Neemias, como a Estevão, como a Elben Lenz César, para que minha vida não seja sem sentido. E vivi, ali, naquele ônibus inesperado e surpreendente, o renascer de uma esperança que me ataca o coração todos os dias, quando me deparo com a Palavra, e com homens que me inspiram a viver mais e mais a história de Deus.

Provavelmente, na quinta, irei entregar o material para o Reve, e já fico animado, só de pensar em quantas riquezas Deus pode ter guardadas nas palavras daquele homem sincero, ciente de sua natureza pecaminosa, resgatador dos perdidos e missionário em todos os lugares.

Soli deo gloria!

sábado, 27 de outubro de 2012

Por que os jovens saem da igreja? [Parte 1]

Creio que todo jovem nascido em lar cristão já se questionou sobre sua frequência à uma igreja, ou quanto à adesão ao cristianismo. Pois eu também já fiz questionamentos sérios, e sinto que sair da igreja passa pela cabeça de muita gente, incluindo, talvez, você!

Uma coisa me intrigou bastante ao me deparar com o desafio de falar a um grupo de adolescentes em um acampamento recente. Leitor assíduo de Paul Washer, e assistente de seus sermões, fico admirado ao ver em sua postura o desejo que as pessoas levem Deus a sério. Esse pregador (aconselho que assistam a esse sermão, para conhecê-lo melhor) que busca trazer a realidade bíblica de pecado e inferno para os seus ouvintes me inspirou a pesquisar os motivos pelos quais jovens deixam as igrejas todos os dias. E lá fui eu atrás dos dados que me assistissem nessas constatações.

Ao longo dos próximos posts (não sei quantos serão ainda), falarei sobre minhas impressões a respeito da pesquisa encontrada nesse site, que já apresenta inclusive análises do presidente do Grupo Barna, responsável pela pesquisa. Espero não ser repetitivo, mas que Deus possa conduzir o pensamento, levando-nos a refletir sobre uma realidade que ameaça diretamente a igreja.

Antes de começar a falar dos resultados da pesquisa, precisamos entender em que contexto vivemos, tanto dentro da comunidade cristã, quanto fora desta. Essa análise é muito importante, pois nos auxilia a ver em que mundo estamos pisando, e como esse mundo nos influencia, direta ou indiretamente.

O mundo em que vivemos

Primeiramente, precisamos entender o mundo que nos envolve, e diariamente nos bombardeia com informações e valores dentro de nossas casas. 

Uma das características mais marcantes de nossa sociedade é a relativização das ideias e das verdades presentes em nossas vidas. Guilherme de Carvalho é bem claro ao afirmar que, no mundo, todas as coisas são relativas, à exceção de Deus. Quando tiramos Deus de foco, e passamos a colocar os referenciais nas coisas e nas pessoas, perdemos qualquer dimensão universal e inquestionável para nossas ações. A partir de então, a minha verdade é soberana, inclusive sobre a do próximo. Os questionamentos não são mais bem vindos, e o respeito deve prevalecer para que haja boa convivência entre as pessoas. Quando Deus é removido do horizonte, ficamos apenas com o que somos. Coisa terrível é sermos lançados sobre nós mesmos.

Além da relativização das verdades, vivemos em uma sociedade imersa em inovação. O tempo se move mais rápido, e o que é antigo se torna desprezível. C.S. Lewis dá um nome à esse movimento de Esnobismo Cronológico. É como se aquilo que é antigo não tivesse valor, por estar ultrapassado. A nossa sociedade, além de não querer envelhecer, apresenta enorme resistência àquilo que considera ultrapassado: religião, abstinência sexual antes do casamento, constituição familiar, moral e ética, tudo vem sendo lançado fora das reflexões diárias por estarmos vivendo em uma sociedade "avançada", onde não precisamos mais de muletas criadas no passado para viver.

Obviamente, considerando a relativização das verdades e o esnobismo cronológico, seria fácil deduzir que as famílias não apresentam mais o mesmo ambiente e segurança dos quais nossos avós puderam presenciar. A estrutura familiar, além de considerada ultrapassada, já não é mais fundamental para que a sociedade funcione de maneira harmônica. A relação conjugal passou a ser uma relação contratual, onde cada um cumpre com seu papel, e em caso de descumprimento, o rompimento do contrato. Filhos, projetos, todos ficam à mercê do gosto dos casais, que se propõem cada vez menos a enfrentar a dura vida conjugal.

Não bastasse a estrutura familiar ruída, ainda convivemos com os que fogem de qualquer realidade que envolve compromissos. Nossa sociedade vive uma febre hedonista que nos remete à antiga Roma. Buscamos o nosso próprio prazer a qualquer custo sem pudor algum. Pagamos nossas contas, e fazemos o que quisermos, sem prestar contas a ninguém. Nossa sociedade constrói ídolos cada vez mais desconexos da nossa realidade, pautados apenas na busca pela satisfação de seus desejos, conseguidos com dinheiro fácil e com projeção na mídia.

Bom, esse é o cenário que podemos perceber, sem dificuldade alguma, ao olhar ao nosso redor. Porém, nossas igrejas também estão cheias de problemas.

A igreja em que vivemos

Nunca na história da igreja se percebeu tamanho descompromisso dos pais com a educação cristã dos filhos. Salvas raras exceções, não percebo movimento algum nas famílias para manter os cultos domésticos, ou sequer um crescimento do conhecimento da Palavra nas crianças, que não ultrapasse a educação dada nas escolas dominicais.

Assim como no mundo, os pais de dentro da igreja estão terceirizando a educação cristão de seus filhos. Não precisa de ir muito longe para entender a antibiblicidade desse descaso (I Tm 4:12; Pv 22:15; Pv 23:13-14).

É perceptível, talvez até por consequência da educação recebida, a falta de compromisso e o esfriamento dos jovens na igreja. E aqui eu quero me ater a um ponto importante. Jovens avivados, conforme o próprio Paul Washer concebe, não tem nada a ver com cultos jovens animados, regados a músicas animadas, saltos, lágrimas e qualquer tipo de expressão momentânea de sentimento. Creio que o anseio pela leitura da Palavra, vida de oração e a busca por conhecimento de Deus, através de livros teológicos e de textos que busquem responder às questões relativas à realidade são os principais meios de demonstração de avivamento. Como diz o salmista, assim devemos dizer: "escondi a Tua Palavra no meu coração, para eu não pecar contra Ti" (Sl 119:11).

Outro reflexo que podemos observar em nossas igrejas diz respeito ao aumento dos "desigrejados". São pessoas que aderiram à alguma denominação evangélica, mas que sofreram alguma decepção, ou não fora satisfeitos em suas expectativas, e hoje estão fora da igreja. Esse número tem aumentado consideravelmente, e em muito por culpa das próprias igrejas, que vendem um evangelho barato e palatável, omitindo o que realmente importa, e criando crentes que nunca evoluirão na fé.

Por fim, quero enfatizar um fato que é constatado estatisticamente, para tristeza das lideranças eclesiásticas no mundo: o cristão tem vivido como o não cristão. Não temos diferença alguma com relação às demais pessoas que professam outra fé, ou fé alguma. Reportagem da Cristianismo Hoje relata, de maneira bem clara, que 56% dos evangélicos já fizeram sexo antes do casamento, e 25% já traíram. A constatação da pesquisa é tão relevante quanto os dados: "Isso não quer dizer, evidentemente, que o evangélico traia mais", ressalva Danilo Silvestre Fernandes, idealizador do Bepec e da pesquisa. "Apenas que os crentes, em diversos aspectos, não diferem tanto assim das pessoas que a Igreja convencionou chamar como ‘do mundo’.".

Com vistas nesses dois cenários quero finalizar essa primeira parte dos estudos. A intenção aqui não é avaliar se os jovens se converteram ou não nas igrejas, mas constatar o que a igreja pode fazer para apoiar seus jovens e permiti-los ter um ambiente que proporcione um relacionamento profundo com Deus.
Fiquem na paz!
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