quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O que nos falta é honestidade

Primeiro assista:

Bono disse algo que mexe comigo: há uma falta de honestidade no meio cristão. 13m25s.

Ele queria ver músicas falando sobre a difícil relação entre marido e esposa, ou o quanto nos aborrecemos com o governo.

Eu também.

Creio que eu também seja desonesto, em muitas das minhas ações. Se parar para pensar melhor, certamente vou encontrar vários momentos do meu dia onde não fui honesto a respeito do que sinto ou penso, ou mesmo a respeito de expectativas para coisas que dependeriam de mim para serem feitas. Não sou honesto com minha esposa a respeito de tudo que se passa no meu coração, e não sou honesto com muitos ao meu redor.

Um ambiente onde a honestidade pode te causar a morte do seu ego, da sua 'identidade' falseada, onde a sua imagem vendida vale mais do que quem você realmente é, causa a morte da honestidade.

Eu quero ser honesto. Eu quero habitar em uma comunidade onde as pessoas são honestas comigo também. Onde os meus erros são expostos, para minha correção. Onde minha identidade é construída a partir do que é comum, do que é compartilhado, e não apenas a partir dos erros cometidos, que certamente surgirão.

Eu também sou suspeito com cristãos. Eu sou suspeito com todos que tentam vender ideologias que não tocam a realidade. Eu sou a favor do realismo. Sou a favor do Deus que sabe o que é sofrer, porque se propôs a viver essa vida de miséria que, por melhor acondicionados que estivermos, sempre vai nos oferecer a sua face tenebrosa, nos assolando com a morte, com a perda, com o sofrimento.

Eu sou a favor da morte de mim mesmo. Da minha desonestidade e da minha falta de realismo. Que todos aprendam a querer a morte de si mesmo. Só assim iremos ver dias melhores.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

2016... Nunca é igual...

2016. Morando na Europa você não tem a mesma sensação de passagem de ano que se tem no Brasil. As férias de verão aqui são em julho, e o ano novo é apenas um intervalo no meio da correria do trabalho e dos estudos. Mesmo assim, como é tradicional, eu vou tentar escrever algo sobre o meu ano de 2015 e tentar deixar guardadas algumas lembranças para o futuro...

2015 foi um ano muito difícil. Morar em outro país é complicado e prazeroso ao mesmo tempo. É desafiante e divertido. É cansativo e renovador. A Holanda é minha casa agora, e a sensação que tenho é a de que, quando estou aqui não quero voltar ao Brasil. Mas paradoxalmente, quando vou ao Brasil, não quero voltar para a Holanda. Tenho dois lares. Dois lugares onde me sinto bem, confortável, aceito e bem comigo mesmo.

2015 foi o ano de tentativas frustradas, de viagens inesquecíveis, do primeiro artigo publicado, da dificuldade de escrever os demais. Foi o ano de parar pra curar a alma, enquanto ao mesmo tempo vivia lutas gigantes dentro e fora de mim. Foi o caminho para longe, e depois de volta para perto. Foi o ano do ceticismo, e da fé reformulada e leve.

Foi o ano em que deixei de me importar em ser isso ou aquilo, mas apenas me importando em ser aquilo que eu devo ser. Foi o ano de chutar o balde, e de retomar com seriedade meus sonhos mais antigos. Foi o ano de ser humilde, e aceitar que preciso de ajuda.

Virei presidente do ISMA, convidado para algumas palestras, fiz outras palestras malucas para o departamento (medindo o nível de tédio das pessoas), não li nem 1/4 do que leio normalmente, comprei uma racefiets, voltei a tocar no louvor da igreja, dei aulas para o curso de mestrado, comecei, terminei, abracei, chorei, sorri, me senti só, me senti mais amado do que nunca, e por aí foi.

Cada ano é diferente, mas 2015 ainda tem muito para ser processado na minha cabeça. E 2016? Eu ainda tenho medo de sonhar, mas tenho no coração algo muito precioso, que espero crescer e se tornar algo significativo. Tomara que 2016 dê certo. Tomara que 2016 seja um ano de surpresas. Já começou assim...

Se me contassem como viria, eu não aceitaria
Eu diria que estás ficando louco, que perdeu o juízo
Diria que fui rasgado a tal ponto que não haveria espaço
E como quem luta contra si mesmo, numa luta infindável, eu cedi
O absurdo se tornou parte do todo
O rejeitado deu espaço à esperança
A hora, Tu sabes
Não era a minha, não era meu tempo
Ainda me retenho, temor
Ainda acredito, esperança
Ainda suspiro, desejo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dez pedidos [by Clélio Braz]

Um dia eu ganhei amigos. E me tornei quem sou. O primeiro deles foi Ele. Não é preciso dar nomes. Os demais vieram por sequência, e me mostraram o quanto vale a pena viver, respirar e sonhar com um mundo melhor. A poesia que segue é uma recordação eterna dos amigos da ABU. Quem escreveu foi o Clélio, mas todos tiveram um pedacinho do texto. Guardarei...

Porque esta poesia não é qualquer coisa
de mensagem, de carta, ou de lisonjeio -
é sim e antes, uma forma de recreio, pra fazer-se esquecer
que na verdade, a alma lava uma tristeza em nossos olhos.
... Uma tristeza saudosa de você.

Tenho uma lista
que não tem ordem pra te pedir – nem pra te dar,
você tem muitos tostões pra compra-la!
Mas a doarei...

Primeiro........... Que sua distância se afaste de nós,
te queremos de bem perto, como um navio no seio das aguas,
como chuva em nuvens cinzas e como tempestade em dias fechados.
Ainda que essa tempestade, só chuvisque.
E não importa...
Canada, Inglaterra, Marrocos ou Nárnia.
Seja lá onde se inaugurar sua morada. Faça sua casa perto de nós!
De Skype, Facebook ou Google+ - mas faça-a com janelas para nós.

Segundo........... Não aceite nossos abraços, leve-os contigo,
como os teus se deixam em nós.
Faça deles o seu devocional de cada dia – E com o pão do Eterno se alimente
todos os dias; que te são concedidos.
De sobremesa se alimente de nossos retratos – e se vista com eles
nos dias frios
de solidão.

Terceiro.......... Mande-nos embora de sua vida! E seremos
peregrinos em terra estranha, Sem-terra a te exaltar como nossa – amigos.
E longe de nós, não escreva coisas ridículas – sabemos que você não escreve coisas ridículas.
Quarto............ Cuide bem do seu quarto! Há muitas pessoas
que mudam, e deixam de arrumar seu quarto, sua casa, sua vida.
Seja constantemente orientado!

Quinto............ Agradecemos pelos teus presentes de gestos, livros e obras.
Ao revê-los dá um frio, de saudade. Alguém de nós deixou a janela aberta.
A mesma janela que você pulou quietinho e adentrou,
e nos mostrou como a porta de nossa Missão estava fechada
e com a direção do Eterno nos ajudou:
a abri-la, e como, a mais as pessoas
servi-las.
Sexto................ Sua razão não cabe num cesto, e se coubesse
seria um cesto tão racional, que deixaria de ser cesto e se tornaria...
Um teólogo, um filosofo, um escritor – seu problema é esse.
Infelizmente, você não tem um cesto pra colocar sua razão!

Sétimo.............. O sete é o numero da perfeição, por isso pulemos
esse numero de você!

Oitavo............ Como essa poesia não tem um fim didático,
esqueça qualquer ensinamento, mas tenha dela o conhecimento...
Que seu estar conosco, seu agir conosco, seu orar conosco,
seu aconselhar conosco e seu doar conosco.
Nos trouxe um ao outro – na ABU, a um lugar de comunhão.
E por tudo isso: a Glória toda seja dada ao nosso Criador.
Nono............... Tenha sabor de mel! Como a nona sinfonia de Damares.
Décimo............. e não ultimo, mas décimo! Como um dizimo.
Que nos tenha como parte sua, como nós o temos como parte nossa,
e que em Cristo, sejamos inteiros. Como corpo e cabeça, cabeça no corpo.
Poesia como disse não é mensagem – só a de Fernando Pessoa.
Por isso: deixamos na escuridão destes versos, um interruptor,
por favor, não o acenda, ele não funciona nessa poesia – pelo menos nessa não.

E agora...
Olhe pra fora, digo pra fora de você. E veja dentro de nós.
Há em alguns uma oração sincera a Deus por você,
em outros o desejo que seus sonhos venham todos ocorrer,
em mais alguns talvez, o tremer da alma – pela dor desse momento acontecer.
Mas em todos uma certeza da qual eu termino esta poesia pra dizer.
Deus está no controle da sua vida – e por isso estamos alegres por você.
Estes são os Dez pedidos
a um quase despedido de Lavras.
Na cidade de nossas vidas, porém,
você sempre há de ser um inquilino nosso.
Que não paga aluguel
Fazemos questão de pagar pra você!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Calvino e o dinheiro

"Tudo quanto a Igreja possui, seja em propriedade, seja em dinheiro, é patrimônio dos pobres. E assim freqüentemente ali é entoada esta cantilena aos bispos e diáconos: que se lembrem que estão a manejar não valores próprios, mas os destinados à necessidade dos pobres; valores que, se de má fé são suprimidos ou dilapidados, se constituem réus de sangue. Daí serem admoestados a que, com sumo tremor e reverência, como à vista de Deus, os distribuam, sem acepção de pessoas, àqueles a quem se devem. Daqui também aquelas sérias reiterações em Crisóstomo, Ambrósio, Agostinho e outros bispos como eles com as quais diante do povo asseveram sua integridade." (João Calvino, em Institutas, Livro IV, Capítulo XIII).

sexta-feira, 6 de junho de 2014

6 Hereges que Deveriam ser Banidos do Evangelicalismo: Alguns líderes da igreja que foram longe demais...

Este texto é uma tradução livre do artigo 6 Heretics Who Should Be Banned From Evangelicalism. O texto não está isento de erros de tradução. Caso os encontre, me avise para correção.


O que significa ser "evangélico"?

Em quê você deve crer?

O que você deve rejeitar?

Você pode ser um cristão e acreditar...

... na evolução?

... que o Inferno é simplesmente temporário?

... que as pessoas de outras religiões podem ser salvas mesmo sem saber?

... que a expiação não está relacionada com a ira de Deus sendo derramada sobre Jesus em nosso lugar?

... que as Escrituras contém erros?

Muitos evangélicos diriam "não" à maioria - talvez todas - estas questões. É por isso que, na tentativa de proteger o nome do evangelicalismo, alguns líderes proeminentes dentro do evangelicalismo tem tomado para si a responsabilidade de denunciar publicamente aqueles que descordam de questões como estas.

Para deixar clara, não há problema com a denúncia pública de ideologias (isto é, afinal, o que este artigo está fazendo neste momento). É necessário, algumas vezes, denunciar publicamente alguns falsos mestres. No entanto, deve-se considerar se eles estão promovendo um evangelho distinto, antes de denunciar com ousadia.

Mas não estamos falando sobre denunciar ideias ou expor falsos mestres reais. Estamos falando sobre cismas sem necessidade alguma e inconsistentes, orgulho exclusivista.

Guardeões do evangelicalismo auto-nomeados rasgam o que poderia ser um nobre e diversificado movimento do Espírito. Estes guardiões encarregam-se a si mesmos de pronunciar que está "dentro" e quem está "fora" da ortodoxia cristã.

Pelos padrões destes guardiões, a definição de "evangélico" está se tornando cada vez mais estreito, tanto que pouquíssimos se encaixam dentro das definições.

Então, se queremos ser consistentes, é hora de eliminar todas as heresias -- especialmente aquelas que tem maior influência -- não somente Rob Bell, Rachel Held Evans ou a Visão Mundial.
Vamos começar com estes 6:
1. C.S. Lewis: Culpado de Inclusivismo e Rejeição da Teoria da Expiação Penal Substitutiva

Talvez o mais celebrado escritor cristão do século passado, C.S. Lewis é respeitado pela maioria dos cristãos, não interessa em qual canto da teologia eles ocupem. E isto é o que me confunde. Lewis não é um evangélico pelos padrões dos porta-vozes evangélicos modernos. A obra-prima ficcional de sete volumes, As Crônicas de Nárnia, revelam sua crença de que é possível para uma pessoa de outra religião herdar o Reino de Deus sem conhecê-lo.
Lewis também rejeitou a teoria da Substituição Penal da Expiação, que afirma que Cristo "desviou" a ira de Deus de nós e tomou-a para si. Ao contrário, na parte três das Crônicas, Lewis descreve que o que é conhecido como a visão "Christus Vicotr" da expiação, o qual afirma que a cruz não é uma imagem da ira de Deus contra nós, desviada em seu Filho, mas era a derrota do mal através de uma ato de amor altruísta. (Aqui está um vídeo de Greg Boyd dando uma boa descrição desta visão usando o imaginário de Lewis.)

2. Martinho Lutero: Culpado por Rejeitar a Inerrância Bíblica

Onde estaria o evangelicalismo sem Lutero? Ele é o pai da reforma, e o campeão da Sola Scriptura.
Mas para o desalento de cada Calvinista, eu temo que possa ser o portador de más notícias de que Lutero aparentemente não acreditava que a Bíblia era completamente inspirada, verdadeira e confiável.
Falando de  imprecisões nos livros das Crônicas, ele afirma: "Quando se lê que um grande número de pessoas foram mortas, por exemplo, oitenta mil, acredito que dificilmente mil foram realmente mortas".

3. Santo Agostinho: Culpado de Rejeitar a Leitura Literal da História da Criação

Em sua obra "O Sentido Literal de Gênesis", Agostinho (para ser honesto) pensou  que cristãos que consideravam a história da Criação literalmente foram motivo de zombaria e pareciam idiotas entre os não-cristãos porque negavam a ciência e a razão. Este é Agostinho, aquele para o qual damos crédito pelas doutrinas do pecado original e o Inferno como um tormento eterno e consciente (centrais na teologia reformada).

Aqui está a afirmação:

Não raramente ocorre que algo sobre a Terra .. se torne conhecido com grande certeza pela razão ou pela experiência, mesmo por alguém que não seja cristão. É muito vergonhoso e desastroso, e porém, muito digno de ser evitado que ele (o não cristão) venha ouvir um cristão dizendo de forma tão imbecil sobre estes assuntos, e como se de acordo com escritos cristãos, de tal forma que ele possa dizer que mal pode conter o riso quando ele viu o quão completamente em erro eles estão. Em vista disto e tendo em mente constantemente enquanto tratando do livro de Gênesis, eu tenho explicado, na medida do possível, explicar em detalhes e tomado para consideração o significado de passagens obscuras, tendo cuidado de não afirmar precipitadamente algum significado de forma a prejudicar outro significado ou talvez uma melhor explicação.
Poucos são os púlpitos que o aceitariam nas igrejas conservadoras de nossos dias.


4. William Barclay: Culpado de Universalismo

Os pequenos comentários azuis de William Barclay estão nas prateleiras de muitos pastores. Assim, é estranho que Rob Bell tenha sido tão enfaticamente rejeitado por defender essencialmente a mesma crença que este célebre teólogo.

Barclay escreveu: "Sou um universalista convicto. Eu creio que no fim todos os homens serão reunidos no amor de Deus... a escolha é se aceitamos a oferta e convite de Deus de bom grado, ou se tomamos o mais longo e terrível caminho através de anos de purificação.

Nesta obra, Barclay também listou os pais da igreja primitiva, Orígines e Gregório de Nissa, como dois cristãos universalistas.

5. John Stott: Acusado de Aniquilacionismo

John Stott é um dos maiores pensadores evangélicos da última geração.  Stott rejeitou a visão de que o inferno é um tormento eterno e consciente dos ímpios e sugeriu, ao contrário, que aqueles que não tiveram arrependimento deixariam de existir após suportar a pena por seus pecados.
Ele escreveu: "Eu acredito que a aniquilação final do ímpio deveria ao menos ser aceito como legítimo, bíblicamente embasada como alternativa ao tormento eterno e consciente".

6. Billy Graham: Culpado de Inclusivismo

Billy Graham é, talvez, o exemplo da identidade evangélica.

Ou, achávamos que era...

Como C.S. Lewis, Graham acredita que aqueles que não ouviram sobre Cristo podem, de fato, serem salvos sem uma confissão explícita de que Ele é Senhor.

Em uma entrevista em 1997 com Robert Schuller, Graham disse:

"[Deus] está chamando pessoas para fora do mundo por Seu Nome, se elas vêm do mundo Muçulmano, do mundo Budista ou do mundo Cristão, ou do mundo de não-crentes, eles são membros do Corpo de Cristo porque eles foram chamados por Deus. Eles podem não saber o nome de Jesus, mas eles sabem em seus corações que precisam de algo que eles não tem, e eles se voltam para a única luz que eles têm, e pensam que estão salvos e estarão conosco no céu".

Há vários outros exemplos: o lobby de George Whitefield pela escravidão, o ódio não velado de Martinho Lutero pelos Judeus, a aprovação de Calvino pela queima de hereges na fogueira, etc.

Agora, espera-se que você ache ridículo rejeitar estas pessoas grandes e piedosas. Este é o motivo pelo qual é incrível pra mim o que ignoramos a fim de protegermos-nos da verdade. Precisamos de nossos "herois da fé" para sermos perfeitos em teologia e conduta, então ignoramos e justificamos as partes que não gostamos.

Todos fazemos isto.

Então, talvez seja hora de estender um pouco mais de bondade pelos evolucionistas, pelos que rejeitam a inerrância, para aqueles que leem a Bíblia literalmente quando ela diz que Deus irá redimir todos os povos consigo, para os Rob Bells e para as Visões Mundiais.

E para aqueles de nós que estão do lado progressivo e moderado: talvez possamos achar isto em nós mesmo para virar a outra face e perdoar aqueles que desejam que desapareçamos. Então, quando encontrarmos alguém que nos aceite, com "heresias" e tudo mais, vamos abraçá-los e aprender com eles.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Por que tentarei não comentar políticas/ideologias/frivolidades nas redes sociais

Um dia você aprende…

 

As redes sociais são grandes repositórios de informações inúteis. Fato. Nada superabunda mais nas redes do que memes, piadas, vídeos imotivacionais, entre outros assuntos comentados por não conhecedores de coisa alguma.

Algumas pessoas estudam um pouco mais, e avançam o seu conhecimento de tal forma que constroem raciocínios interessantes e até certo ponto relevantes na internet. Mesmo estas, acabam muitas vezes caindo no ostracismo, e se tornam gurus que não contribuem para a reflexão, mas sim à cauterização de ideias pouco proveitosas e já pré-estabelecidas. Defendem suas correntes com unhas e dentes, mesmo que para isso tenham que usar argumentos totalmente descabidos.

A grande maioria não estuda nada. Não lê uma notícia por completo. Não se importa com o outro lado da moeda. Não está nem aí para os reflexos de suas opiniões e comentários. Lêem os títulos dos noticiários, quando muito. Lêem menos do que os 2,1 livros lidos em média pela população brasileira. Não têm uma formação sólida em suas opiniões. Ficam apenas as opiniões. Isoladas, soltas e vagas.

Já discuti bastante nas redes sociais sobre políticas públicas, direitos humanos, defesa de minorias e outros assuntos relacionados à religião. Sou um entusiasta do debate, e coço quando vejo uma polêmica pronta a ser dissecada pelos neurônios e absorvida pela ética. Porém, não mais quero discutir.

As ideias que expõem sempre te colocarão de um lado. Fato. O problema é que não foi você quem pediu para ser colocado daquele lado.

Existem matérias jornalísticas para defender todos os pontos de vista ideológicos, políticos, religiosos e até sexuais. Você pode defender que quer fazer sexo a 3, 4 ou 1000 usando o documentário do Poliamor. Pode querer defender a sua visão conservadora a respeito da mulher mostrando artigos anti-feministas com argumentos bem consistentes mostrando os exageros por parte do feminismo atual, ou mesmo as reportagens mostrando as militantes da Marcha das Vadias se masturbando com crucifixos. Você pode querer defender que sua religião é legal usando artigos mostrando que membros do Candomblé assassinaram uma criança em um ritual, mostrando que aquele povo é do capeta, e que você é de Deus. Pode mostrar que os crentes são ridículos, por meio de matérias que mostram pastores extorquindo o povo. Pode usar qualquer matéria! Qualquer uma!

Você pode defender a esquerda e suas liberalidades usando os artigos dos sociólogos marxistas que estão em todas as universidades do Brasil, ou pode buscar defender a direita e seus fundamentalismos usando os textos do Olavo de Carvalho ou os vídeos da Raquel Sherazade. Argumentos existem dos dois lados. Uns apelam aos direitos humanos, outros apelam ao direito à propriedade e às obrigações do Estado.

Quando você diz algo que coaduma com a opinião de qualquer destes caminhos, imediatamente é taxado. Ridicularizado. Ares de decepção surgem de todos os lados. Ou você é um déspota, ou é um radical, ou um fundamentalista, ou um utópico. Um religioso ou um cético (acredite, ambos podem ser títulos pejorativos!).

De hoje em diante, não mais comentarei. Quando surgir um assunto polêmico, comprarei os livros sobre aquele tema, e me aprofundarei de tal forma que consiga sustentar os meus argumentos, passando-os primeiro pelo meu próprio crivo (alto, por sinal). As contribuições neste mundo não se restringem às redes sociais. Elas são grandes ferramentas. Revoluções ainda esperam para ocorrer. Posições ainda precisam ser consolidadas. Decisões quanto aos aspectos humanos mais latentes precisam de ação e reflexão.

Apesar de pertencer a uma geração internética, e de ser estudioso das redes sociais, voltarei ao velho método: sentarei minha bunda na cadeira e irei estudar antes de proferir asneiras pela internet. Quem sabe assim, se todos fizerem, as redes sociais não se tornam de vez dispensáveis, por conter apenas as asneiras, e nos dê coragem para desativar permanentemente nossos Facebooks? Ou quem sabe se todos começarem a estudar antes de falar, não conseguiremos fazer das redes sociais um ambiente mais útil, onde consigamos reduzir a quantidade de filtros, e onde consigamos reduzir consideravelmente tudo o que coaduma com a irracionalidade e com a falta de respeito ao próximo?

Publicado originalmente em https://medium.com/p/a92e89f21b41

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Os cinco mais de 2013...

Na última virada do ano eu recomendei 10 livros que gostei demais de ter lido em 2012. Este ano resolvi reduzir pra cinco, tendo em vista o montante de livros que li. Foram 19 livros lidos ao longo do ano.

Adiantei no meu Facebook a importância que dou à leitura, em especial pela herança deixada pelos Reformadores e pelos Pais da Igreja, com constante preocupação de que os fieis conheçam a verdade e se empenhem nos caminhos do conhecimento.

Sem mais delongas, vamos lá! Os livros não estão em ordem de importância!

1 - O Teste da Fé
Estava bem desanimado com as pesquisas que estava fazendo em um momento do ano, quando comecei a ler este livro, que é um grande estímulo para os cristãos que se envolvem com pesquisas. O livro conta o testemunho de vários cientistas relevantes, e a forma como integram sua fé com o que fazem em seus laboratórios. O livro também vêm com um DVD documentário, que trata bem a perspectiva de exploração científica do ponto de vista de alguns renomes internacionais, bem como faz uma reflexão sobre o papel da ciência em nossos dias.




2 - Crime e Castigo
Uma obra prima escrita por um cristão e que nos revela a história de um pretendente a Napoleão: Raskólnikov. Entre todas as tramas e detalhes de sua mente, viajamos na cabeça de uma pessoa que busca estar acima das leis morais, por meio de um experimento que o lança em uma série de psicoses e devaneios sobre o crime cometido. Gostaria de reforçar a importância da leitura de livros que não sejam de teologia, ou sobre a vida cristã. Os motivos? Adianto a relevância da criatividade e do despertamento para o imaginário. Deixo os detalhes para um futuro post.




3 - Jesus, o Mestre de Nazaré
Indicação mais do que acertada do Rev. Élben, que me deu quando o encontrei por acaso no aeroporto (veja aqui). O autor, Alexander Mien, é um pastor Russo, ortodoxo, que apresenta uma história de vida muito interessante e trágica, por conta de sua morte. O livro é a recontagem da vida deste grande homem, que transformou a sociedade e a história, afetando de maneira profunda a minha vida, com vários requintes e acréscimos que enriquecem muito o entendimento do maior sacrifício de todos.




4 - A Cruz do Rei
Timothy Keller expõe todo o livro de Marcos, capítulo a capítulo, detalhe a detalhe, com uma sensibilidade e com uma riqueza de informações que me encantou! Um livro digno de ser lido, relido, para reflexão, e para transformar as nossas vidas, que de tão capengas, precisam muito conhecer, dia a dia, este Rei que é Servo. São exposições feitas pelo próprio Keller e que dissecam o primeiro evangelho escrito.






5 - O Deus que intervém
Francis Schaeffer já é uma constante na minha lista de leituras. Este livro trouxe grande inquietação para mim, e o confronto maior foi no sentido de me desafiar a reler o evangelho para a minha geração. Com uma preocupação latente em propagar o evangelho e dialogar com a sociedade de seu tempo, Schaeffer nos mostra o importante papel de vivermos com a realidade latente de que Deus existe e está presente em nosso meio.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dez Pedidos

Johannes Vermeer
Girl reading a Letter at an Open Window

(1657-1659)
Mais um ano terminando. E todo fim de ano eu fico mais velho. Não tem outra saída. É sempre assim.

E, não por acaso, todo ano uma nova surpresa. Este ano fui surpreendido por uma turma que caminhou comigo durante o ano, que sofreu um bocado com minhas inquietações, que se alegrou e projetou, que cantou e compartilhou, que significou a minha vida. Diante de um turbilhão de acontecimentos, entre os quais a minha possível-quase-certa despedida, recebo um poema pra lá de lindo! 

Agradeço à ABU, UMP, e todos aqueles que me permitiram ter um pedaço nas suas vidas! Não há palavras para dizer, apenas sentir e deixar o dia seguir... 

Nem preciso dizer o quanto me emociono todas as vezes que leio... Guardarei a carta com muito carinho, e tenham certeza de que a lerei sempre que precisar de um acalento e de motivação para seguir em frente.


Porque esta poesia não é qualquer coisa
de mensagem, de carta, ou de lisonjeio -
é sim e antes, uma forma de recreio, pra fazer-se esquecer
que na verdade, a alma lava uma tristeza em nossos olhos.
... Uma tristeza saudosa de você.

Tenho uma lista
que não tem ordem pra te pedir – nem pra te dar,
você tem muitos tostões pra comprá-la!
Mas a doarei...

Primeiro........... Que sua distância se afaste de nós,
te queremos de bem perto, como um navio no seio das aguas,
como chuva em nuvens cinzas e como tempestade em dias fechados.
Ainda que essa tempestade, só chuvisque.
E não importa...
Canadá, Inglaterra, Marrocos ou Nárnia.
Seja lá onde se inaugurar sua morada. Faça sua casa perto de nós!
De Skype, Facebook ou Google+ - mas faça-a com janelas para nós.

Segundo........... Não aceite nossos abraços, leve-os contigo,
como os teus se deixam em nós.
Faça deles o seu devocional de cada dia – E com o pão do Eterno se alimente
todos os dias; que te são concedidos.
De sobremesa se alimente de nossos retratos – e se vista com eles
nos dias frios
de solidão.

Terceiro.......... Mande-nos embora de sua vida! E seremos
peregrinos em terra estranha, Sem-terra a te exaltar como nossa – amigos.
E longe de nós, não escreva coisas ridículas – sabemos que você não escreve coisas ridículas.

Quarto............ Cuide bem do seu quarto! Há muitas pessoas
que mudam, e deixam de arrumar seu quarto, sua casa, sua vida.
Seja constantemente orientado!

Quinto............ Agradecemos pelos teus presentes de gestos, livros e obras.
Ao revê-los dá um frio, de saudade. Alguém de nós deixou a janela aberta.
A mesma janela que você pulou quietinho e adentrou,
e nos mostrou como a porta de nossa Missão estava fechada
e com a direção do Eterno nos ajudou:
a abri-la, e como, a mais as pessoas
servi-las.

Sexto................ Sua razão não cabe num cesto, e se coubesse
seria um cesto tão racional, que deixaria de ser cesto e se tornaria...
Um teólogo, um filosofo, um escritor – seu problema é esse.
Infelizmente, você não tem um cesto pra colocar sua razão!

Sétimo.............. O sete é o numero da perfeição, por isso pulemos
esse numero de você!

Oitavo............ Como essa poesia não tem um fim didático,
esqueça qualquer ensinamento, mas tenha dela o conhecimento...
Que seu estar conosco, seu agir conosco, seu orar conosco,
seu aconselhar conosco e seu doar conosco.
Nos trouxe um ao outro – na ABU, a um lugar de comunhão.
E por tudo isso: a Glória toda seja dada ao nosso Criador.

Nono............... Tenha sabor de mel! Como a nona sinfonia de Damares.

Décimo............. e não ultimo, mas décimo! Como um dizimo.
Que nos tenha como parte sua, como nós o temos como parte nossa,
e que em Cristo, sejamos inteiros. Como corpo e cabeça, cabeça no corpo.
Poesia como disse não é mensagem – só a de Fernando Pessoa.
Por isso: deixamos na escuridão destes versos, um interruptor,
por favor, não o acenda, ele não funciona nessa poesia – pelo menos nessa não.

E agora...
Olhe pra fora, digo pra fora de você. E veja dentro de nós.
Há em alguns uma oração sincera a Deus por você,
em outros o desejo que seus sonhos venham todos ocorrer,
em mais alguns talvez, o tremer da alma – pela dor desse momento acontecer.
Mas em todos uma certeza da qual eu termino esta poesia pra dizer.
Deus está no controle da sua vida – e por isso estamos alegres por você.

Estes são os Dez pedidos
a um quase despedido de Lavras.
Na cidade de nossas vidas, porém,
você sempre há de ser um inquilino nosso.
Que não paga aluguel
Fazemos questão de pagar pra você!

Clélio Braz

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Porque Contar a sua História não é uma Boa Ideia para Compartilhar o Evangelho


Segunda, 09 de Setembro de 2013 

Sempre pensei em aprofundar um pouco na questão dos métodos de evangelismo usados pela igreja de hoje. Creio que este texto representa de forma significativa a forma como eu entendo alguns aspectos do compartilhamento da fé. Essa é uma tradução livre do texto de Leslie Keeney, e pode conter erros. Caso os encontrem, me ajudem a corrigir. 

Qualquer pessoa que já teve alguma lição sobre como compartilhar a sua fé já ouviu algum professor bem intencionado dizer: "Você não precisa saber um monte de palavras difíceis. Apenas conte a sua história. Apenas conte à eles como Jesus mudou a sua vida. Ninguém pode argumentar contra isso".

Então, todos suspiram fundo aliviados porque pensavam que teriam que gastar um bom tempo aprendendo a responder perguntas difíceis, questões como "como você sabe que Jesus ressurgiu dos mortos?" ou "como você sabe que a Bíblia é inspirada?".

Eu entendo porque este método que costumamos chamar de  "testemunho" é popular. Pastores bem intencionados acreditam que pessoas ficam assustadas quando falam sobre Jesus às outras, e elas precisam encontrar um método fácil para que possam ensinar suas congregações como compartilhar a sua fé sem necessariamente ter que fazer nada - muito menos algo difícil.

O problema com este método é que ele não funciona mais. Ele poderia até funcionar 20 ou 30 anos atrás, mas em 2013 qualquer cidadão pós-moderno que se preze iria responder "isso pode ser verdade pra você, mas não é verdade para mim". E deveria. Se uma pessoa compartilhando sua fé está dizendo que você deveria experimentá-la porque ela funcionou para ela - se ele está baseando seus argumentos para seguir a Cristo na sua própria experiência - então é justo que a pessoa que responde possa afirmar que a sua experiência é tão válida quanto.

De certa forma, os cristãos que usam  somente sua própria experiência para dizer a não-cristãos sobre Jesus estão dando aos pós-modernos uma grande margem de vantagem. Ele está concordando, implicitamente, que o que mais importa é a experiência pessoal, e não a verdade.

Em seu  essay "Come Let us Reason" (B&H Academic, 2012), Toni Allen escreve que as mulheres, especificamente, "tendem a depender de sua experiência e conexão emocional com Deus como a primeira justificação para a fé que possuem".

Agora, eu seria a primeira pessoa a dizer que as experiências mais elevadas que temos com Deus são incríveis, alucinantes e impossíveis de serem descritas com palavras. E também diria que, muitas vezes, é a experiência com Deus que nos leva à Ele primeiramente, antes que tenhamos qualquer tipo de respaldo intelectual. Muitas pessoas experimentam Deus antes de sequer ter um contato com as evidências históricas da ressurreição. Mas continua sendo apenas o meu (ou o seu) sentimento. Eu posso dizer a outra pessoa que eu tive uma experiência, mas eu não consigo transferir esse sentimento para ela como se a expusesse à gripe. Como Allen diz, "nossa experiência deve ter um papel importante quando compartilhamos Cristo com não-crentes, mas ela não provê a força convincente e necessária para superar as barreiras intelectuais para a fé".

Vamos colocar de outra forma: se estou conversando com um budista que afirma ter experimentado o Nirvana, e sou capaz de responder apenas descrevendo minha própria experiência de encontro com Jesus, o que diferencia minha experiência da dele? Eu tenho alguma evidência de que o que eu encontrei é o único Deus verdadeiro enquanto a sua experiência foi somente um tipo de  transe meditativo?

Não.

E enquanto estamos nisso, como eu sei que a experiência transcendente que eu tive enquanto em êxtase de adoração não era apenas uma sobrecarga emocional alcançada graças às endorfinas, chocolate e a visualização de cachorrinhos ou crianças famintas? Eu realmente não posso usar o argumento de que eu sei que Jesus é real porque Ele mudou minha vida. Vidas podem ser transformadas de várias formas, incluindo anti-depressivos, hipnose, programas de doze passos, ou assistindo ao "Esquadrão da Moda".

Dizer a alguém que tudo o que se deve fazer para compartilhar o evangelho efetivamente é contar a sua história de como Jesus mudou sua vida é fazer um desserviço aos cristãos que necessitam de uma compreensão firme do porquê o Cristianismo é verdadeiro. Isso pode ser danoso para os cristãos que lidam com ateístas que desafiam a sua fé.

É claro que precisamos contar nossas histórias. Humanos são contadores de histórias por natureza. É a forma pela qual nos conectamos. É como aprendemos sobre o outro e como formamos comunidades.  O problema é que, em um contexto pós-moderno, uma história não corresponde à uma verdade mais do que outra.

Ainda que contar nossas histórias seja a primeira coisa que façamos quando começamos a compartilhar o evangelho, é necessário que sejamos amparados com boa apologética. "Como sabemos que Cristo ressurgiu dos mortos? Como sabemos que o evangelho é confiável? Como sabemos que nosso hábito de cantar músicas de adoração é diferente das experiências muçulmanas nas orações de fim de tarde?
Essas são questões que a apologética responde. E não importa o quão bem intencionados os pastores estejam para tornar o compartilhar de Jesus fácil, não é! Não é uma brincadeira de criança, mas necessita de um comprometimento sério com o aprendizado do porquê cremos no que cremos.

Como cristãos, temos a verdade do nosso lado. Não o tipo de verdade que nos torna arrogantes (espera-se), mas o tipo de verdade que corresponde à realidade. Existem bons argumentos para a existência de Deus e boas evidências de que Jesus ressurgiu dos mortos. Existem formas lógicas, racionais, cativantes de demonstrar que o cristianismo é a melhor explicação para o que acontece no mundo, incluindo o porquê do inferno existir e porquê as pessoas sofrem, mas um milhão de oportunidades serão deixadas de lado se deixarmos o pós-modernismo ditar as regras.

Então, da próxima vez que um cristão bem intencionado te disser que tudo que você tem que fazer para compartilhar o evangelho é contar sua história às pessoas, pergunte-o como ele sabe que isso é verdade.

domingo, 18 de agosto de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acepção de Pessoas no Serviço Eclesiástico


Todos concordamos que devemos servir a Deus e ao Seu Reino. Todos também concordamos que, como Corpo, temos funções diversas e específicas. Porém, nem todos estamos vinculados ao serviço eclesiástico (trataremos aqui apenas deste serviço, não excluindo que o serviço ultrapassa ministérios dentro da igreja). A má inserção no Corpo de Cristo pode custar, muitas vezes, a vida de um cristão na igreja. Por causa de vaidades e orgulho, muitos são discriminados e colocados à margem por serem pré-julgados, antes mesmo de se integrarem fortemente ao Corpo de Cristo.

Existem muitos cristãos (consideraremos aqui cristãos verdadeiros, autênticos e sinceros diante de Deus) que se encontram em plena disponibilidade para servir, porém não encontram espaço na sua comunidade local, ou mesmo são desmerecidos e marginalizados em suas igrejas. Muitos desejam servir mais firmemente à Cristo, porém se sentem inúteis para a igreja. O olhar orgulhoso daqueles que já estão posicionados em seus ministérios, e que tomam iniciativas quanto ao trabalho pode colocar aqueles cristãos (chamaremos a eles de fracos a partir deste momento) em cheque sobre qualquer possibilidade de se envolver mais profundamente no serviço.

A Bíblia nos mostra alguns exemplos claros de inclusão e exclusão de pessoas no serviço. Veremos dois destes exemplos. A Palavra nos direciona à uma compreensão muito clara sobre a utilidade e a inutilidade de pessoas no Reino. Todos são úteis. Todos apresentam uma função, referente aos dons delegados pelo Espírito. Além disso, definir a aptidão ou não para exercer um ministério ou trabalho na igreja nos coloca na posição de juízes (se este julgamento for feito em função apenas de achismos, e não pautado em argumentos sólidos). Quando o debate extrapola a aptidão relacionada ao compromisso real com Cristo, é perceptível que estamos julgando por motivos secundários, não o requeridos do servo fiel.

Paulo, de forma muito clara, exclui e divide seu projeto missionário por causa de Marcos (At. 13:13; 15:36-41). Marcos se dispôs a servir, porém desiste no meio do caminho de uma das viagens, e é convidado a se retirar do próximo projeto de Paulo. Em um primeiro momento, é perceptível a irritação do apóstolo, e sua total descrença de que Marcos poderia ter alguma utilidade, tendo em vista seu comportamento anterior. Marcos não era mais uma boa opção para trabalhar, pois não era mais digno de confiança.

A vida pregressa tem sido utilizada, muitas vezes, como fator impeditivo na inserção de membros no serviço à Cristo na igreja. A multidão de pecados encobertos pelo amor e misericórdia de Deus (I Pe 4:8) acaba ficando guardada por nós, e impedindo que o serviço ocorra e que a vida siga.

Paulo, mais à frente em sua caminhada, reintegra Marcos em sua missão, e o considera “muito útil para o ministério” (II Tm 4:11). Sugiro aqui que Paulo tenha mudado, e não Marcos. O seu abandono no passado não foi apagado: ele continua sendo vívido na mente de Paulo. Porém, Paulo certamente passa a ter uma nova compreensão da missão de Marcos, e de sua importância, apesar do que passou. Ele entende que Marcos não pode ser excluído, pois é um irmão em processo de amadurecimento e santificação, e que precisa estar enxertado na videira.


Davi também demonstrava um certo “descaso” com a escolha dos que o seguiam (I Sm 22:1, 2). Davi liderou, por um período, um grupo de personas non gratas, que jamais seriam aceitas para servir ao futuro rei, à época. Davi reinsere esses homens ao serviço, e os dá utilidade e motivação para olharem à frente. Esses seriam seus futuros homens de confiança. Dignidade é dada a eles, e não desconfiança e descrédito.

Dietrich Bonhoeffer, em seu livro “Vida em Comunhão” nos leva a refletir sobre a importância que se tem o serviço na vida da comunidade. Ele afirma:
“Na comunhão cristã, tudo depende de que cada pessoa se transforme num elo indispensável de uma corrente. A corrente será inquebrável só quando o menor elo engrenar com firmeza também. Uma comunidade que tolera a existência de membros que não são aproveitados irá à ruína através deles. Será, pois, conveniente que cada pessoa recebe uma tarefa determinada dentro da comunidade, para que, em momentos de dúvida, saiba que também ela não é inútil e inaproveitável. Toda comunhão cristã deve saber que não apenas os fracos necessitam dos fortes, mas que também os fortes necessitam dos fracos. A exclusão dos fracos é a morte da comunhão. Não será a autojustificação e, por conseguinte, a violação que governará a comunhão cristã, mas a justificação por graça e, por conseguinte, o serviço. Quem, alguma vez, experimentou a misericórdia de Deus, dali por diante só desejará servir.”

O cinismo é um câncer na igreja, desde a sua origem. O cínico não se preocupa com as almas, mas se preocupa com as regras. Ele não se preocupa com o Reino, mas se preocupa com os projetos específicos que levam o seu nome. Ele não se sente confortável com o fato de alguns serem destacados antes dele. Ele não suporta que pessoas cresçam, ou que sejam inseridas em posições que ele mesmo julga que não mereçam. Ele está olhando o presente, e não o futuro. Ele olha a propriedade, e não o Dono dela. O cínico considera que conhece as motivações dos que são incluídos no Corpo, mas jamais terá essa capacidade de análise.

Logo, cada um pense pequeno a respeito de si mesmo (Rm 12:3), e não bloqueie o caminho, para que todos sirvam. Se Deus não nos escolhe por nossos méritos ou motivações, que não façamos o mesmo com nosso próximo, rompendo com seus ensinamentos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Dia do Livro me remete à inteligibilidade da fé cristã. Deus se revela, e para isso nos entrega em mãos O livro. Nada mais humano do que um Livro para falar sobre a identidade do nosso Criador. 
O que faremos com ele? Alguns o rejeitam sem ler. Outros distorcem suas palavras e dão sentido conveniente. Alguns lêem, recebem a Palavra, mas não a colocam em prática. Quando o Grande Dia chegar, esse pequeno livro, que atravessa milênios será encravado em nossas mentes. Alguns para a glória, outros para desespero.
Paulo, escritor e personagem de mais da metade dos livros do  Novo Testamento nos alerta: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (II Tm 3:16-17).

Amor à Palavra e presteza para obedecê-la. Comemoremos o Dia do Livro, principalmente daquele que nos trouxe humanidade, reconciliação e esperança.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tenho dúvidas, mas creio...

Nada, eu digo: nada é mais contraditório do que sentir na pele, ou ouvir o discurso pós-moderno da relatividade de todas as coisas. As pessoas são muito boas nos dias atuais para se darem conta de que cometem erros. Ou melhor: somos uma sociedade inteligente demais e ocupada demais para refletir um pouco mais a fundo sobre questões da verdade.

Hoje eu entendo um pouco do porquê. Cavar em busca da verdade custa caro. Custa as minhas convicções e minhas verdades. Custa o meu conforto e meus sentimentos individuais. Custa tudo.

Buscar a verdade implica em se abrir para os seus enganos. Implica na incessante busca pelo que todos consideram inexistente. Nos coloca diante de um universo inteiro, enquanto me sentia totalmente à vontade apenas na minha sala de estar.

Conhecer a verdade não implica em não ter dúvidas. Crer em um livro tão antigo, e que passou por séculos nas mãos de centenas de pessoas é algo desafiador, até mesmo para o mais simples indivíduo, não habituado ao questionamento.

Conhecer a verdade é manter-se na sua busca até a morte. É um processo que não se encerra, e que deixa muitos para trás. Quando queremos saber o que é correto e o que não é, se é que existe certo e errado, precisamos nos entregar ao ato. Em uma sociedade que vive na superfície, e prefere confiar em seus instintos a conhecer o que a história tem para nos contar, é fácil perceber que são muitos os que deixam a fé, ou a vivem totalmente iludidos.

Pedro não erra quando nos convida a dar a razão da nossa fé, uma forma de santificar a Cristo (I Pe 3:15). Cristo não erra quando nos diz que o caminho é estreito, e poucos que caminham por ele (Mt 7:14). Conhecer a razão da nossa fé e nos dispormos a compartilhá-la com o próximo é sobremodo difícil e nos exige toda a nossa vida.

Não temos um Deus de sentimentos. Temos um Deus de verdade (Paráfrase com Bonhoeffer).

Para os que gostam de se questionar, deixo alguns questionamentos:
- E se toda essa baboseira evangélica for verdade?
- E se Jesus realmente ressuscitou?
- Será que o cristianismo é algo tão banal e simplista resumido ao lema "paz e amor"?
- Será que minha vida é algo desconexo da minha fé?
- Será que não crer em nada é a melhor alternativa?
- Será que eu sou realmente uma pessoa boa e que não precisa de nada além da minha autossatisfação?
- Será que o evangelho é babaca como aqueles que ficam na TV pedindo dinheiro?
- E se a bíblia realmente for um livro de Deus? Será que ela não tem nada para me falar?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Reflexão sobre o encontro do jovem rico com Jesus

O jovem rico (Mt 19:16-26)

Jesus já era bem conhecido, e estava viajando pela Judeia, além do Jordão (19:1), onde insistentemente era interrogado pelos saduceus. Jesus estava próximo de sua entrada triunfal em Jerusalém, onde seria aclamado pelo povo.

Jesus acabara de pregar aos discípulos a necessidade de serem como crianças para entrar no Reino dos céus, dizendo a eles que deixassem as crianças irem até ele.

Agora, Jesus contrapunha a sua pregação anterior, mostrando como é difícil para os adultos herdarem o Seu Reino.

O jovem rico interrompe Jesus com uma pergunta de difícil interpretação. Uns entendem que o jovem perguntou sinceramente e, por desconhecimento de quem Jesus era, o colocou no nível do mestre. Outros entendem que o jovem, de forma sagaz, quis bajular a Jesus, chamando-o de Bom. Creio ser a segunda alternativa mais prudente, diante dos fatos que sucederam a pergunta inicial.

O jovem questiona o que é preciso ser feito para herdar a vida eterna. A pergunta do jovem revela sua ignorância em relação a Jesus (que é Deus) e do caminho da salvação (pela graça). O jovem se atém às dívidas ao invés da dádiva, às obras em detrimento da graça.

Jesus responde aos dois problemas de ignorância do jovem.

1) A resposta de Jesus não é uma contradição. Jesus não está abrindo mão de sua divindade ao afirmar que só há um que é bom, Deus. Ele está dando mais uma chance ao jovem de reconhecer que Ele é Deus. A resposta esperada seria “Por isso Tu és Deus”.

2) Jesus confronta o jovem em relação a sua salvação, exortando-o a guardar a lei. A lei foi usada para convencê-lo de seu pecado. Jesus não estava inferindo que o jovem se salvaria por guardar as leis, mas queria confrontá-lo com o que deveria guardar.

A lei nos serve para mostrar que somos incapazes de obedecê-la. É o crivo que Deus nos dá para mostrar o quanto somos miseráveis e o quanto Ele é gracioso.

Todos os mandamentos citados por Jesus são mandamentos relacionados à vida com o próximo. O último mandamento citado por Jesus é o principal, e servia para mostrar ao jovem o quanto estava cego em seu egoísmo. Dado seu orgulho, ao afirmar que guardava a todos os mandamentos, Jesus então expõe sua falha, convidando-o a dar todos os seus bens aos pobres.

Isso tem algumas implicações:
1) Não quer dizer que o homem seria salva por dar os seus bens. A salvação estava em seguir a Cristo. É pela fé que ele iria conquistar o Reino.
2) Para se salvar, é necessário reconhecer que pecou e não alcançou as exigências santas de Deus. A negação do jovem em dar seus bens mostra que ele não amava ao próximo.

Uma possível resposta seria: “Senhor, se isso é necessário, então sou pecador. Não posso salvar a mim mesmo por meus esforços. Consequentemente eu te peço para me salvar por Sua graça.” Ao invés disso, ele se retirou em tristeza.

Jesus utiliza o contexto que se passa para mostrar aos demais à sua volta a dificuldade de um rico entrar no céu. Ele ressalta que:
1) As riquezas tendem a se tornar ídolos em nossas vidas. É difícil tê-las sem confiar nelas.
2) É difícil ver como um cristão pode acumular tamanha quantidade de dinheiro com tantos necessitados à nossa volta.

Charles Simeon foi pastor por 49 anos da Igreja da Trindade, em Cambridge. Após uma conversão ao entrar em contato com um livro sobre a Ceia do Senhor em seu quarto na faculdade (março de 1779), Simeon teve uma ideia da sua necessidade de arrependimento.

Simeon era acusado por seus opositores por estabelecer um padrão de santidade inatingível. Simeon fugia de rumores, evitava fazer caça às heresias, tinha um forte senso de responsabilidade diante de Deus pelas almas e pregava firmemente que a bíblia deveria falar por si.

John Piper escreve sobre como Charles Simeon lidava com suas finanças da seguinte forma:
“Ele não dava a seus inimigos nenhuma brecha quando se tratava de estilo de vida e riqueza. Vivia de modo simples, como um homem solteiro em seu quarto de universidade, e dava todo o excedente de seu salário aos pobres da comunidade. Também recusou a herança de seu irmão rico, Moule disse que ele tinha “uma nobre indiferença ao dinheiro”. E seu envolvimento ativo com a assistência aos pobres das redondezas foi responsável em certa medida pela cessação dos preconceitos contra ele. É difícil ser inimigo de uma pessoa que é cheia de prática de boas obras. Foi dessa forma que ele seguiu o conselho de Pedro: “Porque assim é a vontade de Deus, que pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos” (I Pe 2.15)

Jesus, em seu sermão aos discípulos define uma hipérbole, ou um argumento ad absurdum, de que seria mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

Muitos teólogos afirmam que o fundo é um portão de entrada bem baixo, onde os camelos deveria passar ajoelhados, mostrando a possibilidade do fato. Porém em Lucas, na mesma passagem, o termo grego usado se refere à agulha usada por cirurgiões.

Jesus estava dizendo que realmente é impossível ao homem alcançar a salvação por si mesmo. Jesus não estava falando sobre dificuldade, mas sobre impossibilidade. Humanamente falando, um rico não pode ser salvo!

A maioria dos discípulos vinha de tradição judaica. As riquezas, nessa tradição, eram sinal de bençãos, e se questionaram quem poderia ser salvo.

Jesus então dá o caminho a ser traçado: o que é impossível ao homem, é possível a Deus. Somente Deus pode efetuar a mudança em um rico, e fazer com que ele deixe de confiar em meios visíveis de sustento para confiar na fé.

Jesus está mostrando que as riquezas acumuladas são as provas para que sejamos acusados de não amar ao próximo.

C.S. Lewis, em seu livro “Peso de Glória”, extrapola a ideia de entrega a Deus, e nos faz abraçar outros campos de nossa vida nessa relação com Deus.

Leitura: página 46 do livro “Um ano com C.S. Lewis”.

“Deus exige tudo de nós, porque ele é amor e é próprio dele nos abençoar. No entanto, ele não pode nos abençoar enquanto não nos possuir por completo.”


Alguns questionamentos:

1) Quando foi a última vez que reconheceu, com lágrimas e contrição, o seu pecado?
2) As disciplinas que eu faço, o profissional que estou me tornando, os sonhos que planejo incluem projetos de abençoar o próximo com aquilo que farei e receberei pelo feito?
3) Quais as áreas onde não aceito que as pessoas me mudem? Tenho feito isso também com Deus?
4) Tenho barganhado com Deus, prometendo coisas para ganhar outras?
5) A graça de Deus é real em minha vida, ou ainda me sinto preso por conta das leis impostas sobre mim?

Referências:
[1] Lewis, C.S. "O Peso de Glória", São Paulo. Editora Vida, 1949.
[2] MacDonald, W. "Comentário Bíblico Popular". Editora Mundo Cristão, 2011.
[3] Piper, J. "Raízes da Perseverança". Editora Tempo de Colheita, 2010.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

10 livros que li em 2012 e recomendo demais da conta, sô...

Me empolguei ao ver alguns blogueiros postando a lista dos livros recomendados que foram lidos em 2012, e resolvi fazer a minha lista. Certamente, 2012 foi um ano de grandes descobertas literárias e teológicas, que me ajudaram bastante a amadurecer. Abaixo seguem minhas recomendações, apresentadas em ordem totalmente aleatória de preferência. E aí? Gostaram?

10 - 10 acusações contra a igreja moderna - Paul Washer

Um livro pequeno, de fácil leitura e rico em reflexões para os dias de hoje. A leitura da introdução do livro, pra mim, valeu o livro todo. Porém, vale a pena ler, reler e impregnar o conhecimento para não cairmos nos erros da pós-modernidade


 

9 - Fé cristã e cultura contemporânea

Um dos melhores livros já lidos. Escrito por várias mãos, o livro nos lança em uma análise profunda do conceito da igreja sobre a sua missão e sobre o evangelismo, passando pela estrutura filosófica de Kuyper, e atingindo o narcisismo e o hedonismo modernos com argumentações consistentes e reflexivas.




8 - O crente no mundo de Deus - Cornelius Plantinga Jr.

Plantinga Jr. escreve para estudantes universitários, e acerta em cheio ao tratar de assuntos importantíssimos para um cristão que irá adentrar na guerra do pluralismo, da falsa tolerância e da arreligiosidade sem a perda da 'espiritualidade'. Trazendo uma visão calvinista e bíblica da atuação do ser humano na sociedade, é um livro que deveria ser leitura obrigatória para todos os calouros cristãos das universidades brasileiras.



7 - Como Viveremos? - Francis Schaeffer
 
Um livro que deve ser lido com mais atenção. Cheio de detalhes, e com uma enorme quantidade de informações, Schaeffer vai nos contando a história do mundo, focando nos campos das artes e da filosofia para nos mostrar onde estamos atualmente, e como chegamos aqui. 




6 - Vida em Comunhão - Dietrich Bonhoeffer
 
Um pequeno grande livro. Seu tamanho esconde a grandiosidade dos ensinamentos que podem nos valer uma vida de devoção sincera e com as motivações corretas. Bonhoeffer vai no cerne das questões todas: o coração. Dali, ele nos confronta e nos pede que estejamos em uma comunhão real, sincera e verdadeira.




5 - As raízes da perseverança - John Piper
 
Essa tríplice biografia de John Newton, William Wilberforce e Charles Simeon, nos coloca em debate sobre quais são as verdadeiras raízes de pessoas que buscaram promover a soberania de Cristo diante das mais complexas adversidades possíveis. Muitos ensinamentos, e certamente, muitos motivos para nos colocarmos no caminho se encontram nesse livro de fácil leitura e de grande aplicabilidade para nossas vidas.



4 - Oração: Cartas a Malcolm - C. S. Lewis

C. S. Lewis, mais uma vez, me deixa encurralado ao refletir sobre o que é a oração, como deve ser feita, e quais as implicações da mesma para o cristão. Sustentando a máxima de que "a oração não muda o coração de Deus, mas sim o nosso coração", Lewis apresenta uma sequência de cartas fictícias para nos introduzir em uma grande viagem reflexiva por esse mundo que, muitas vezes, nos coloca em conflitos.




3 - Cristianismo Puro e Simples - C. S. Lewis

Uma de suas obras mais conhecidas, recomendo a leitura, a releitura e a re-releitura sempre que possível. Um livro que começa com a apologética de Lewis, e culmina em grandes ensinamentos para quem quer seguir a fé cristã de maneira coerente com o evangelho. Lewis deixa de lado as polêmicas, e nos mostra o que converge dentro do cristianismo, colocando-nos na sala, cheia de portas, e nos convidando a conhecê-las.



2 - O que estão fazendo com a igreja - Augustus Nicodemus

Se há uma voz no Brasil que clama por uma igreja bíblica e reformada, é Augustus Nicodemus. Criticado por muitos pelo seu criticismo direto e sem pormenores, creio que temos um profeta que grita por uma transformação em nossas igrejas, de modo a corrigir os rumos e torná-las mais próximas da vontade do Cristo. Nesse livro são debatidos assuntos relacionados ao liberalismo teológico, ao neopentecostalismo e à libertinagem nas igrejas. Para quem se preocupa com a igreja brasileira, leitura obrigatória.


1 - Alice - Lewis Carroll

Seguindo os conselhos de C. S. Lewis, mergulhei nessa história fantástica de Alice. Me marcou muito saber que as flores não falam porque o chão é muito macio em nosso mundo. No mundo onde o chão é duro e árduo, as plantas conversam. Tenho aprendido que o mito é uma grande oportunidade para nos colocarmos na realidade. Além disso, se queremos ser como crianças, por que não ler o que foi escrito para elas?


sábado, 15 de dezembro de 2012

Ai de mim, se acredito...

Acredito que tem gente que sinta prazer em criticar. Porém, há gente que critique por não suportar tamanha insensatez das pessoas.

O "senso comum" é algo que foi pluralizado, e agora não existe mais. Coitados dos que acreditam firmemente em algo. Serão apedrejados, pois nesse mundo em que vivemos, ninguém pode ter certeza de nada mais! Até mesmo nas igrejas, ai de mim se creio na sã doutrina, ou em um evangelho único.

Fora da igreja, ai de mim, se acredito que existe uma verdade universal sobre assuntos concernentes ao sentido da vida.

A verdade é que precisamos ter muita (MUITA) paciência para lidar com a atual sociedade. Com a internet, então, todo mundo é dono da verdade, ainda que ela não exista no discurso da maioria...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pobre de mim... Pobre de nós...

Como fazer para derrotar o orgulho? E como fazer a humildade imperar em um reino onde a amargura, o ressentimento e a falta de perdão insistem em impregnar nas pessoas?

Todos são orgulhosos, mas eu não! Jamais, enquanto criatura salva, poderia deixar o orgulho reinar em mim! Sou realmente mais destacado, e tenho certeza de que faço sempre a vontade de Deus!

E quanto ao pecado? Todos à minha volta tem a ficha suja, mas eu não! Os meus pecados são mais leves, são deslizes apenas. Deus não se importa tanto com os meus, pois Ele conhece o meu coração!

E assim, a igreja vai cedendo à vontade do anjo de luz, brilhando (?) em cada membro, em separado, mas nunca iluminando o céu com um clarão de luz completa.

A começar por mim, quero ver meu orgulho quebrado, humilhado, destruído. Quero sentir a alegria de, no pó, no lamaçal de pecado, orgulho e dor, sentir o sangue me lavando, e me mostrando que sou um com o outro.

Os fracos pecam pelo orgulho, os fortes pelo desprezo. Enquanto todos os elos não estiverem ligados à corrente, jamais experimentaremos comunhão verdadeira. Pobres de nós! Tamanha riqueza à frente, e nunca a conheceremos!